Carlos Lima
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Política
Carlos Lima | Publicado em 26/10/2016 às 00:40:14

Carmem Lúcia “não admite” crítica de Renan. A crise institucional está escancarada.

Carmem Lúcia “não admite” crítica de Renan. A crise institucional está escancarada.

A reação da Presidente do STF, dizendo publicamente que “todas as vezes que um juiz é agredido, eu, e cada um de nós juízes é agredido” em resposta ao Presidente do Senado, Renan Calheiros,  é daquelas que tornam difícil imaginar sequer um aperto de mão protocolar entre duas autoridades da República.

Disse Carmem Lúcia:

“Não é admissível aqui, fora dos autos, que qualquer juiz seja diminuído ou desmoralizado. Como eu disse, onde um juiz for destratado, eu também sou. Qualquer um de nós juízes é.

Se o argumento é válido, também o presidente do Senado poderia usar cada vez que um senador da república for criticado.

Renan não agrediu o STF, ao contrário. Disse que só o Supremo poderia ter tomado a iniciativa que tomou um juiz de primeira instância.

À parte os conceitos nada meritórios que se possa ter sobre ele e sobre os senadores, ainda não constar terem sido abolidos os níveis jurisdicionais que tornam o Senado alvo de ações exclusivamente vindas da Suprema Corte, não do juiz da esquina.

Mas a corporação judicial já tomou faz tempo o freio nos dentes e encontra no STF ou alinhamento automático ou silêncio temeroso.

O único que reage, Gilmar Mendes, também tem outro alvo na mira:  a Justiça do Trabalho, que teima em não aceitar que o negociado prevaleça sobre o legislado, o que prejudica os trabalhadores e é o sonho da reforma trabalhista de Temer e da Fiesp.

Ninguém é santo: nem juiz, nem senador, nem promotor.

Mas todos têm o dever de respeitar a lei e não transformar o debate institucional no pugilato que está instalado e que, pelo tom das bravatas, não vai parar.

E terminar onde todo mundo sabe que isso termina.

Fernando Brito

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