Carlos Lima
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Política
Carlos Lima | Publicado em 25/11/2015 às 05:38:25

Cristina Kirchner é Dilma em 2018? Depende

Cristina Kirchner é Dilma em 2018? Depende O que acontecerá em 2018

 

A derrota do candidato de Cristina Kirchner é apresentada como uma prova — mais uma — das dificuldades que aguardarão o Partido dos Trabalhadores em 2018. Empregando expressões que parecem extraídas de um livro de história natural, usa-se o termo “fim de ciclo” para acentuar uma visão de fatalidade e pessimismo.

Convém analisar os fatos com mais cuidado antes de entregar o ouro, a prata e as pedras preciosas de um projeto histórico que continua importante para o Brasil e os brasileiros, apesar das imensas dificuldades enfrentadas no momento.

Antes de oferecer as costas para infinitas chibatadas, cabe reconhecer uma verdade essencial: os números da eleição. Macri foi eleito em segundo turno por uma vantagem de 2,8% dos votos. Só para comparar:

Dilma derrotou Aécio por 3,5%, numa  situação de aperto e disputa acirrada, resolvida apenas nos minutos finais da apuração, quando o PSDB já estava abrindo o champagne para celebrar.

Considerando a diferença final, Daniel Scioli só precisaria ter arrancado 1,5% dos votos para virar o placar, humilhar os institutos de pesquisa que apontavam para diferenças maiores, de até dez pontos e assegurar a vitória do governo.

Este é um dos elementos enganosos do segundo turno argentino.

Como as pesquisas erraram ao apontar uma  vitória consolidada de Macri com antecedência — o correto teria sido falar numa situação próxima do empate técnico — ninguém se deu conta do  caráter apertado e disputado da eleição, que era sujeita a eventuais alterações de ultimo minuto. Na prática, o resultado final parecia uma fatalidade.

Não era.

E pode-se imaginar uma reação do peronismo se seus militantes estivessem informados de que a vitória era menos difícil do que se dizia.

Outro aspecto é uma campanha de vodka da década de 1980, que dizia “Eu sou você amanhã,” sugerindo que o Brasil estava condenado, cedo ou tarde, a reproduzir tendências e copiar opções econômicas e políticas feitas pela Argentina.

Pronunciada  com ar inteligente em jantares elegantes de outro período histórico, essa piada ajudava a embalar programas econômicos que se pretendia importar de Buenos Aires, no tempo em que o Estado mínimo de Domingos Cavallo parecia equação de Albert Einstein da economia e Carlos Menem inspirava os economistas de Fernando Henrique Cardoso.

A história real nem sempre foi assim. Foi o Brasil que inaugurou o lamentável período de ditaduras militares no Continente, em 1964, seguido mais tarde por vários vizinhos, inclusive a Argentina. Também foi o Brasil que deu início à democratização, enquanto a Argentina afundava numa das piores ditaduras da região.

A vitória de Nestor Kirchner, em 2003, teve um apoio importante de Luiz Inácio Lula da Silva, interessado em contar com um aliado no governo do país vizinho.

A ordem de grandeza das duas economias é outra, o PIB não se compara. Basta lembrar que a população inteira da Argentina cabe nos programas sociais do governo brasileiro.

As dificuldades que o Brasil enfrenta tem origem numa crise internacional persistente, que derrubou as economias centrais e atingiu a China, principal locomotiva do planeta.

Mas a  causa do pessimismo em 2018 não vem de fora. Encontra-se aqui mesmo. Sua origem está numa recessão de 3,1%.

O desemprego já atinge taxas preocupantes e a inflação sobe em vez de cair, como supõe o figurino do ajuste. Prevê-se mais recessão em 2016. Este é o ponto para se debater aqui.

Os aliados do governo, aqueles que garantiram a vitória por 3,5%, não conseguem enxergar sinais de uma mudança a seu favor no horizonte.

O sinal de Buenos Aires não ajuda, ainda que tenha sido muito menos claro do que se quer anunciar. A fraquíssima base social do novo presidente é um prenúncio de imensas dificuldades.

Mas é óbvio que novas luzes precisam vir de Brasília

Leonardo Attuch

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