Carlos Lima
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Política
Carlos Lima | Publicado em 08/08/2018 às 10:10:39

O jogo político chega ao peso pesado

O jogo político chega ao peso pesado O jogo político

Blefes, chantagens, ameaças, frustrações, promessas não cumpridas. A real politica veio pesada. Foi duro para todo mundo ver tão de perto as salsichas serem produzidas.

Por fim, superada a etapa mais sangrenta da guerra doméstica, sempre muito mais dolorosa que a batalha contra inimigos externos, é hora de recolher os mortos e feridos, contabilizar as armas que restaram e analisar a conjuntura com serenidade.

Ciro Gomes escolheu, para vice de sua chapa, alguém de seu próprio partido, senadora Katia Abreu, ex-ministra da Agricultura de Dilma Rousseff.

Katia foi expulsa do PMDB por sua oposição dura ao impeachment e lealdade ao governo petista.

É um nome que não empolga a esquerda, mas que pode ajudar o candidato do PDT a se posicionar por fora da brutal polarização que tende a se formar nestas eleições.

Se deve parabeniza à aguerrida militância do PDT e de Ciro Gomes, que estão injetando sangue e ideias novos nessa luta terrível da classe trabalhadora contra seus usurpadores, pela consolidação da chapa.

Desejamos-lhes muito sucesso.

Também devemos parabenizarmos o Partido dos Trabalhadores e sua continental militância pela definição de sua chapa.

Finalmente, temos um nome, Fernando Haddad, para substituir a provável impugnação do ex-presidente Lula.

É um ótimo nome, com boas chances de chegar ao segundo turno e vencer.

A coligação com o PCdoB agrega ao PT uma militância altamente qualificada, madura, com quadros excepcionais, que ajudará muito o partido nas batalhas épicas que se anunciam.

À Manuela D’Ávila, que se retira do pleito, foi prometido a vaga de vice assim que Haddad assumir o posto de Lula.

Quanto ao PSB, que não conseguiu superar suas diferenças internas e decidiu se manter neutro, torçamos para que contribua da melhor maneira possível para denunciar o golpe (inclusive para compensar o fato de tê-lo apoiado) e apontar caminhos para o desenvolvimento nacional.

As próximas semanas seguirão difíceis para o campo progressista, porque as feridas abertas entre PT e PDT não irão cicatrizar tão facilmente.

Mas é preciso que todos respirem fundo, muito fundo, e contemplem a paisagem devastada.

O povo voltou a passar fome.

Nossas empresas estão sendo destruídas a uma velocidade estarrecedora.

O desemprego e o subemprego nunca foram tão elevados.

Mas o pior de tudo é o avanço de ideias fascistas e da cultura de violência.

Vivemos tempos realmente muito perigosos e o bom senso que parece faltar aos dirigentes partidários, nós temos que compensá-lo com o nosso.

Os candidatos da situação que disputam o poder não tem qualquer compromisso em evitar a tragédia que se anuncia.

Os vices escolhidos por Alckmin e Bolsonaro são tão ou mais conservadores que seus candidatos.

Ambos defendem privatizações, redução do Estado, manutenção dos privilégios e não fazem nenhuma crítica ao avanço da intolerância política.

A decepção fica por conta de Alvaro Dias que baseia sua campanha em louvores à Lava Jato e ao juiz Sergio Moro.

Ele não demonstra estar preocupado com a explosão da pobreza e da mortalidade infantil.

Mas nós estamos, e esse foco tem de estar acima de nossas divergências!

Com a saída de Manuela, a esquerda tem três candidatos fortes, Lula (Haddad), Ciro e Boulos.

Independentemente do tamanho nas pesquisas, são candidatos que representam, cada um, as três grandes ideias do campo progressista.

Lula e o PT, que sempre simbolizaram a luta contra a desigualdade e a pobreza, agora também representam a resistência à ditadura jurídico-midiática, que transformou o Brasil num laboratório sinistro de uma espécie de fascismo pós-moderno.

A concentração de riqueza no Brasil, somado à concentração da mídia, faz os Estados Unidos parecerem um país socialista.

A submissão do nosso judiciário ao establishment, por sua vez, só tem paralelo ao que ocorreu na República de Weimar, quando juízes aderiram a uma cultura jurídica autoritária e partidária bem antes do nazismo tomar o poder.

Ciro representa o esforço por reformular o papel geopolítico do Brasil.

Tem sido um incansável denunciador do golpe, sempre alertando para a necessidade de fazer as instituições repressivas (judiciário, ministério público, polícia federal) voltarem às suas “caixinhas”, ou seja, pararem de interferir indevidamente no jogo democrático.

Sua contribuição ao debate, até o momento, tem sido inestimável.

Boulos representa a afirmação das bandeiras indenitárias e do meio ambiente, que a esquerda moderna não pode mais dissociar da luta de classes.

Sua candidatura tem um sentido ético profundo. Apesar de sua posição modesta nas pesquisas, sua palavra ressoa com muita força junto a segmentos estratégicos da opinião pública.

Menosprezar qualquer um desses candidatos é sinal de profunda mediocridade e falta de visão de conjunto.

O militante de esquerda deve manter sempre um olho crítico sobre os candidatos de seu próprio partido e do alheio, mas jamais agir com arrogância, mirando o outro de cima para baixo, por causa de diferenças nas pesquisas.

Tampouco deve agir com intolerância, veiculando discursos de ódio por causa de declarações fora de contexto ou pequenas divergências políticas.

Não se restrinja a ler manchetes, não condene com afobação, não caia no jogo sujo das mídias partidárias (grande ou pequena), não se junte à explosões de linchamento.

Cultive a serenidade e tente fazer sempre uma crítica construtiva e original.

Não dê tanta bola para pesquisas! Nem para menosprezar o candidato alheio, nem para glorificar o seu próprio.

Primeiro porque pesquisa não é voto.

Confundir uma coisa com outra é uma grande estupidez, além de gerar posturas despolitizadas e irreais, que podem nos custar surpresas desagradáveis.

Segundo porque ninguém é melhor que ninguém: cada candidato tem suas qualidades e defeitos, que só saberemos exatamente quais são se o poder lhe for conferido.

Terceiro porque a influência e importância das respectivas militâncias no debate político nem sempre corresponde ao tamanho do candidato nas sondagens.

Tenha sempre em mente que nenhum candidato é perfeito e todos os partidos são falhos. Numa democracia, escolhe-se sempre o menos pior, não propriamente o melhor.

Para infelicidade de Platão, mas para o bem da humanidade, a democracia é um regime em que prevalece a vontade da maioria e não dos “melhores”.

E a maioria, apesar de ser invariavelmente medíocre e egoísta, sabe cuidar melhor de seus interesses, no médio e longo prazo, do que as vanguardas iluminadas.

Vamos tentar cobrir esse processo eleitoral da maneira mais isenta possível.

Temos o nosso lado, que é dos trabalhadores, e nossa torcida, que é pelos candidatos do campo progressista, mas nos esforçaremos para manter um posicionamento crítico em relação a todos, assim como tentaremos tratar todos os candidatos, inclusive os da direita, com o respeito que o processo democrático merece.

Tentarei, na medida do possível, oferecer ao ouvinte e ao internauta do nosso programa conteúdos que os ajudem a conhecer as propostas de todos eles, para que possa decidir o seu voto por si próprio.

Aos nossos ouvintes, pedimos encarecidamente que nos ajudem a manter o debate no mais alto nível possível, porque o processo eleitoral não é uma batalha de vida ou morte, mas uma oportunidade para trocarmos ideias, aprendermos uns com os outros, e prepararmos alianças futuras!

Que Gadu nos ilumine.

cljornal com informações de Miguel do Rosário

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