Carlos Lima
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Carlos Lima | Publicado em 24/08/2018 às 16:49:56

Bolsonaro não é caso para TSE ou STF. É para o Juizado de Menores

Bolsonaro não é caso para TSE ou STF. É para o Juizado de Menores

Está cada vez mais difícil suportar o grau de retrocesso mental que vive a classe média brasileira.

Não há explicação plausível para que aceitem e prestigiem um energúmeno que diz e faz o que disse e fez ontem Jair Bolsonaro, em Araçatuba.

Mas aceitam e aplaudem que diz que criança não pode ver nudez artística, mas pode “brincar” e treinar com um “trezoitão”.

Falar o que falou (está aí em cima, na reprodução do Estadão) a uma criança de cinco anos de idade – e dizer, também, que, nesta mesma idade, punha seus filhos para atirarem com armas “de verdade” (arma real, “não é de ficção, não, nem de espoleta”) não é opinião,  é crime.

É criar uma exposição a pequenas crianças, naturalmente sem discernimento entre fantasia e realidade, a produzirem tragédias. Qualquer pai que, por necessidade ou opção, tenha uma arma e filhos nesta idade sabe que elas tem de ser tratadas como tabu – algo que nunca se deve tocar.

Num país em que o Ministério Público chega a revirar latas de lixo atrás de algo que possa servir para acusar candidatos de esquerda, há um estranho silêncio de suas excelências diante deste tipo de crime.

Não é, repito,  é um “delito de opinião”. O porte, posse ou uso de armas de fogo por crianças é crime e é criminoso (artigo 286 do Código Pena,) quem ” incitar, publicamente, a prática de crime “. E o Ministério Público tem a obrigação legal de agir.

Para a sorte de Bolsonaro, o crime que cometeu com seus filhos, dando-lhes uma arma de verdade para que atirassem aos 5 anos de idade, já prescreveu porque seria mais um (este, o do artigo 242 do Estatuto da Criança e do Adolescente – “vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente arma, munição ou explosivo” – que o candidato diz que vai jogar na latrina).

Jair Bolsonaro é, não há outra palavra, um imbecil perigoso.

Fernando Brito

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