Carlos Lima
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Saúde
Carlos Lima | Publicado em 03/09/2019 às 10:07:40

A volta à escola de Joseph – o menino que sofreu um aneurisma aos 3 anos e perdeu 40% do crânio

A volta à escola de Joseph – o menino que sofreu um aneurisma aos 3 anos e perdeu 40% do crânio A médica que atendeu Joseph explicou que ele sofreu um sangramento intracraniano devido a uma malformação arteriovenosa cerebral — Foto: Arquivo pessoal

Assim como milhares de alunos que vão iniciar o ano letivo no Estado de Nova York nesta semana, o menino americano Joseph Federico, de 5 anos, está empolgado com seu primeiro dia de aula no jardim de infância.

Mas essa nova conquista tem um significado especial para Joseph e sua família. Um ano atrás, seus pais, Ann Marie e Joseph Federico Sr., não sabiam se o filho algum dia poderia frequentar uma escola.

Em maio do ano passado, poucos dias antes de completar quatro anos de idade, Joseph sofreu um aneurisma cerebral. Nas semanas e meses seguintes, ele teve de ser submetido a oito cirurgias, incluindo a remoção e, posteriormente, substituição de 40% do seu crânio.

Joseph ficou com o lado esquerdo do corpo paralisado. Nos últimos meses, o menino teve de reaprender a caminhar, falar e até mesmo a se alimentar sozinho. Sua recuperação e determinação impressionaram a família e os médicos.

“Ele sofreu um sangramento devastador. É um milagre que tenha chegado tão longe”, diz à BBC News Brasil a médica Kathy Silverman, chefe da unidades de traumatismo cranioencefálico do Hospital Infantil Blythedale, no condado de Westchester, em Nova York.

Criança saudável

Joseph sempre foi uma criança saudável, sem nenhum problema de saúde. “Um menino completamente normal, muito atlético, muito inteligente”, diz à BBC News Brasil sua mãe, Ann Marie.

Mas na noite de 7 de maio de 2018, ele acordou aos gritos. Seus pais correram para seu quarto e viram o menino vomitando.

“Inicialmente, pensei que fosse um vírus estomacal ou que talvez ele estivesse desidratado. Mas então ele começou a revirar os olhos e perder a consciência. Meu marido tentou molhar o rosto dele com água fria, para reanimá-lo, e perguntou: ‘Joseph, você sabe quem está aqui?’. Ele respondeu: ‘Papai’. E foi a última coisa que falou”, conta Ann Marie.

Na época, o segundo filho do casal, Charlie, tinha apenas um ano de idade, e Ann Marie estava grávida de nove meses de sua filha, Sienna.

Logo, uma ambulância chegou e, depois que os socorristas perceberam a gravidade do quadro, Joseph foi transportado de helicóptero para o Hospital Infantil Maria Fareri, a cerca de uma hora de distância da cidade de New Windsor, onde a família mora. No hospital, foi submetido a uma cirurgia de emergência.

Joseph sempre foi uma criança saudável até que um dia acordou gritando e vomitando. O quadro do menino acabou se revelando muito mais grave do que parecia inicialmente. — Foto: Arquivo pessoal

Joseph sempre foi uma criança saudável até que um dia acordou gritando e vomitando. O quadro do menino acabou se revelando muito mais grave do que parecia inicialmente. — Foto: Arquivo pessoal

“Joseph sofreu um sangramento intracraniano devido a uma malformação arteriovenosa cerebral, que é um vaso sanguíneo malformado que cresce e acaba se rompendo”, diz a médica Kathy Silverman.

“Costumamos pensar nisso em adultos, o que chamamos de derrame. Mas também ocorre em crianças, pode ocorrer em qualquer idade, e não há como prever”, afirma.

Os pais relatam que, nessa primeira noite, estiveram muito perto de perder Joseph. “Depois que tudo passou, um dos médicos nos disse: ‘Vocês são uma família tão boa, eu estava torcendo para que, quando Joseph morresse, meu plantão tivesse terminado, para que eu não tivesse de ser a pessoa a dar a notícia'”, recorda Ann Marie.

Série de cirurgias

Como o cérebro de Joseph estava traumatizado e inchado, os médicos recorreram a uma craniectomia descompressiva, em que parte da caixa craniana foi removida, dando espaço para o cérebro se expandir e se recuperar sem sofrer pressão, o que poderia agravar os danos.

A pele de Joseph não era suficiente para cobrir a área inchada do cérebro, que estava fora da caixa craniana, e os médicos tiveram de usar um enxerto de pele de cadáver.

“A cada três dias, à medida que seu cérebro se recuperava e encolhia, ele tinha de ser submetido a uma nova cirurgia para retirar o excesso de pele”, lembra a mãe.

O cérebro acabou voltando ao tamanho normal, e os médicos puderam fechar a área usando a própria pele do menino e um enxerto ósseo.