Carlos Lima
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Saúde
Carlos Lima | Publicado em 08/10/2017 às 13:52:51

Infarto: Prevenção é a saída para evitar o problema cardíaco

Infarto: Prevenção é a saída para evitar o problema cardíaco Prevenção é o melhor tratamento

O jornalista Helton Fraga, de 50 anos, nunca esquecerá do dia 10 de fevereiro de 2015, data em que, como diz o velho ditado, nasceu de novo. Eram duas horas da manhã, quando acordou com sede. Voltando da cozinha, após beber água, sentiu vertigem e uma forte dor no peito, que irradiou para os braços e costas. Suando frio, acordou a esposa, a professora de inglês Tatiana Campelo, 38, que percebeu que ele estava infartando. Em 15 minutos, ela o conduziu até o hospital mais próximo.

“Tatiana foi o meu anjo da guarda salvador. Devo minha vida a ela. Segundo os médicos, se tivéssemos demorado mais 10 minutos, eu morreria”, lembrou Helton, emocionado.

Afinal, ele é exceção em casos de problemas cardiovasculares fulminantes, que, por ano, levam 350 mil brasileiros a óbito. Em todo o mundo são 17,5 milhões de mortes a cada 12 meses.

As últimas notícias relacionadas a doenças coronárias trazem nova e revolucionária visão sobre o assunto.

Com base em sólido e duradouro estudo mundial, por exemplo, pesquisadores estão chegando à conclusão de que gorduras, inclusive as de origem animal, não fazem tão mal assim e que até chegaram a reduzir índices de mortalidade.

Outra boa notícia está vinculada à descoberta de um novo medicamento que promete estancar hemorragia em até cinco minutos durante as cirurgias.

Mas para diminuir os riscos de ser vítima de um infarto, algumas dicas devem ser empregadas no dia a dia, como uma dieta equilibrada, com frutas, verduras e legumes, a prática de exercícios regularmente e, claro, estar sempre ligado aos exames de rotina, principalmente para checar o nível de glicose e colesterol no organismo.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o infarto é atualmente a principal causa de morte no Brasil, ultrapassando o Acidente Vascular Cerebral (AVC), o derrame.

Para o médico Marcelo Bertolami, diretor da área científica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, apesar dos avanços da medicina, a prevenção ainda continua sendo a melhor forma de se evitar graves problemas para o coração.

“Houve avanços, como a obtenção de medicamentos gratuitos junto ao governo federal para o controle da hipertensão. Mas faltam campanhas duradouras, principalmente por parte dos órgãos públicos”, lamentou Marcelo, que recomenda o abandono do álcool, cigarros e a perda de peso para quem quiser viver mais. “A prevenção evita sérios problemas e tem custo mais barato, tanto para a saúde pública, quanto para o bolso dos cidadãos”, defendeu.

A informação bombástica de que as gorduras não são os principais vilões do coração, como se pensava, mas sim os carboidratos, foi a mais polêmica e discutida no Congresso Fluminense de Cardiologia, realizada pela Sociedade de Cardiologia do Estado (Socerj), em setembro, em Búzios.

A pesquisa Prospective Urban Rural Epidemiology (PURE), da Universidade de Hamilton, no Canadá, apresentou novidades que fez, literalmente, disparar o coração de 600 especialistas no encontro.

O estudo, com 135 mil pessoas em 18 países, em sete anos, mostrou que a alta ingestão de carboidratos gera grande risco de mortalidade cardiovascular.

A ingestão de gorduras, conforme o levantamento, está surpreendentemente associada a menores riscos. As pessoas que mais consumiram gorduras tiveram redução de 23% no risco de mortes, além de 18% a menos de chances de ter AVC.

“Esse estudo poderá mudar nossas diretrizes. Entretanto, a moderação no consumo desses alimentos, o controle de peso e exercícios com acompanhamento médico continuam sendo fundamentais, assim como a prevenção”, ponderou o cardiologista Bruno Heringer.

Outro tema referiu-se a novo agente que estanca hemorragia durante cirurgia em cinco minutos, conforme o estudo de nome Re-verse AD. Falando em prevenção, Helton Fraga revelou que sua mãe já falecida sofreu infarto duas vezes.

“Se tivesse ido ao médico regularmente, já que ausência de sintomas não é sinônimo de saúde (tanto para homens, mas especialmente para mulheres), eu não estaria gastando R$ 800 mensais com medicamentos”, lamentou.

Hoje, passado o susto, ignorando formas de estresse e pesando 13 quilos a menos, Helton diz que nunca curtiu tanto a vida.

Henrique, 20, e Carolina, 15, frutos do primeiro casamento, e Gael, 7, filho dele com Tatiana, atestam. Entre eles, coração não é mais sinal de perigo, mas só de amor, com o famoso símbolo vermelho trocado em suas dedicatórias. Haja coração!

FRANCISCO EDSON ALVES

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