Carlos Lima
Hoje dia 23/09/2018 às 02:56:57

Vida de Artista
Carlos Lima | Publicado em 26/12/2016 às 17:19:16

O mesmo problema que matou a antiga ‘Playboy’ pode vitimar a nova

O mesmo problema que matou a antiga ‘Playboy’ pode vitimar a nova A capa dos 60 anos da Playboy

Desde o final da década de 1970 até alguns anos atrás, praticamente todas as estrelas do primeiro escalão da Globo se despiram nas páginas da “Playboy”.

Nenhuma prejudicou a própria carreira por causa disto. Ao contrário: posar nua era encarado como algo perfeitamente normal. Um trabalho como outro qualquer, como um filme ou uma peça de teatro.

Quer dizer, como outro qualquer, não. Porque dificilmente uma atriz brasileira ganharia atuando o mesmo que a revista costumava pagar em seus dias de glória.

As cifras sempre foram contestadas, mas dizia-se que os melhores cachês eram suficientes para a aquisição de um bom apartamento.

Desnudar famosas tornou-se a especialidade da edição tupiniquim da “Playboy”, muito mais do que em outros países. Nos Estados Unidos, era bastante raro que uma celebridade posasse nua para a revista: geralmente o faziam no começo da carreira, como Kim Basinger, ou então evitavam a nudez frontal, como Lindsay Lohan.

No Brasil, durante algum tempo, a fama pesou bem mais do que os atributos físicos. Foi o que fez com que Elba Ramalho ou Hortência, não exatamente celebradas pela beleza, enfeitassem as páginas da “Playboy”.

Mas pelo menos três fatores concorreram para que essa festa acabasse. O maior deles, claro, foi a internet. Um novo número chegava às bancas, e no minuto seguinte os ensaios fotográficos já eram disponibilizados na rede por leitores.

Além do mais, a farta oferta de pornografia grátis online fez com que muitos pensassem várias vezes antes de gastar dinheiro com a publicação. Os outros dois fatores são simétricos.

Um deles foi a súbita inflação do número de mulheres “playboyzáveis”: ex-BBBs, panicats, assistentes de palco de Luciano Huck.

A princípio os leitores responderam bem, mas logo essa mulherada semi-anônima perdeu o encanto.  O outro fator foi levantado pelo fotógrafo J. R. Duran: ele acha que foi o advento de revistas como “Caras” e similares que fez com que as famosas de verdade evitassem a “Playboy”.

Afinal, elas não precisavam mais ficar nuas para aparecer: bastava estacionar o carro no Leblon ou meditar no Arpoador.

Tudo isto levou a editora Abril, que publicou a “Playboy” por mais de 40 anos, a encerrar a revista em dezembro do ano passado. Logo em seguida foi anunciado que a versão nacional da criação de Hugh Hefner ressurgiria em março de 2016, pelas mãos da recém-fundada editora PBB.

Agora saiu a notícia de que os novos editores estão tendo dificuldades para encontrar uma estrela digna de estampar a capa do primeiro número dessa segunda fase.

Nenhuma está topando. Ou seja: o mesmíssimo problema que vitimou a “Playboy” da Abril já está afligindo a nova encarnação da revista, antes mesmo dela ser lançada.

A “Playboy” americana eliminou a nudez total para conseguir sobreviver. É difícil crer que a mesma estratégia desse certo por aqui. Mas, mesmo com peladonas e tudo, a “Playboy” brasileira está tendo dificuldades para renascer.

FOLHA/FOCUS

f

Comentários

comentários

Veja também