Audiência debateu os desafios da atividade cacaueira no país

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Uma audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), da Câmara dos Deputados, reuniu nessa terça-feira (29), representantes do governo e das principais entidades ligadas à cultura do cacau para discutir os problemas da atividade no Brasil. Uma das conclusões é que o setor precisa superar uma série de desafios para que o país recupere os níveis de produção dos anos 80 e volte a ser um dos grandes exportadores mundiais do produto. Entre os problemas que precisam ser solucionados, estão o endividamento dos produtores rurais e a falta de recursos suficientes para defesa sanitária, pesquisa e tecnologia.

 

Segundo o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Guilherme Moura, que também é vice-presidente de Desenvolvimento Agropecuário da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), a incidência da vassoura de bruxa e as medidas frustradas tomadas à época pelo governo federal para combater a doença agravaram o endividamento dos produtores rurais, que ficaram descapitalizados para fazer novos investimentos na lavoura e sem condições de acesso a novos contratos de crédito rural, devido á inadimplência.

 

Já o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Ilhéus, Milton Andrade Júnior, relatou que a Bahia chegou a responder por 95% da produção cacaueira nacional, gerando 300 mil empregos diretos, com faturamento médio de US$ 600 milhões anuais. Com a chegada da vassoura de bruxa, no entanto, houve uma queda de 75% da produção no Estado, e a falência de 30 mil fazendas do sul da Bahia, uma das principais regiões produtoras do país.

 

Outro ponto levantado foi o contingenciamento de recursos da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão vinculado ao Mapa responsável por executar as políticas destinadas ao setor. Dos R$ 22,6 milhões destinados à Ceplac no orçamento deste ano, apenas R$ 10,6 milhões estão disponíveis. O diretor da Ceplac, Helinton Jose Rocha, reconheceu as restrições orçamentárias do órgão, mas destacou o trabalho do órgão na inovação tecnológica.

 

De acordo com ele, a Ceplac tem hoje 37 cultivares de cacau resistentes à vassoura de bruxa. Falou, ainda, sobre o crescimento da produção em outros estados, como o Pará, segundo maior produtor nacional, Rondônia e Espírito Santo.

 

Apesar da falta de recursos, Guilherme Moura destacou o potencial do Brasil para voltar a ser um dos maiores exportadores de cacau, fator que só será possível com a destinação de mais recursos para pesquisa e assistência técnica. Hoje, o país é o quarto maior produtor mundial, com um volume de 246 mil toneladas, o suficiente para abastecer a indústria moageira nacional.

 

Neste contexto, uma das alternativas mais rentáveis é a produção sustentável, em um modelo conhecido como cacau “cabruca”, que concilia a produção de cacau com a preservação ambiental, nos sistemas agroflorestais, a partir da integração com árvores nativas. Outra opção que poderia gerar mais renda aos agricultores é a agregação de valor, estimulando a produção de produtos derivados da fruta, como o chocolate.

Fonte: Ruralbr

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