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Brasil deve liderar a produção de etanol de segunda geração

O gerente de desenvolvimento de processos da GranBio, Márcio Rebouças, disse que a sua empresa investirá cerca de 4 bilhões de reais até 2020 no projeto do etanol de segunda geração, o qual terá capacidade anual de produção de 82 milhões de litros. A empresa, cuja planta está instalada no Estado de Alagoas e que foi colocada em pé em prazo recorde de um ano, será a primeira fábrica de etanol do Brasil e do Hemisfério Sul.

 

Ela deve iniciar em breve suas operações em escala comercial. “Vejo que o Brasil pode assumir essa liderança, pois é uma grande oportunidade. Inclusive, se o país não se posicionar, ele ficará para trás”, ressaltou Márcio Rebouças durante o Fórum Permanente Ciência Tecnologia e Inovação da Unicamp, realizado no Centro de Convenções da instituição nesta quinta-feira (15). O evento foi organizado pelo CPQBA e promovido pela Coordenadoria Geral da Universidade (CGU).

 

O especialista, que trabalhava anteriormente na Braskem e que se dedicava à indústria petroquímica, abordou no Fórum os desafios da inovação na indústria da segunda geração. Afirmou que a expertise desenvolvida com o etanol de primeira geração, sobretudo na década de 1970, ajudou a impulsionar o de segunda.

 

Mas em sua opinião esse é o momento de arrancar e transfomar esse novo produto em algo real e nacional, visto que, nos últimos três anos, o setor industrial não está mantendo-se suficientemente forte. Logo, esse etanol seria uma das alternativas para aliviar a crise que afeta o setor sucroalcooleiro, que colabora para um aumento da produtividade das usinas. “Vão ter ganho de competitividade as usinas que adotarem esta tecnologia”, garantiu o palestrante.

 

Márcio conta que a GranBio tem na palha de cana a sua matéria-prima, mas que está buscando outras variedades. E outras possibilidades que têm sido adotadas são biomassa a partir do trigo, do milho, do resíduo de milho e de uma espécie de capim. “Pretendemos acessar o açúcar que está na fibra e tentar o melhoramento genético”, conta.

 

Os estudos avançam rumo a esse melhoramento para produzir as plantas com mais fibras e diferentes níveis de sacarose, como a cana energia, que difere da cana tradicional pelo fato de não ser destinada apenas ao setor sucroenergético, mas também para outros setores.

 

O etanol celulósico é uma tecnologia já desenvolvida na planta da GranBio. A sua obtenção ainda encontra alguns gargalos de caráter tecnológicos, uma vez que o material lignocelulósico apresenta uma estrutura complexa a qual precisa ser destruída de maneira a liberar os açúcares a serem transformados em bioetanol.

 

Conforme Márcio Rebouças, “a cana energia resulta em uma cana com mais quantidade de fibras e variação na quantidade de açúcar. Sua particularidade é o fato de ser mais fina, mais alta, ter um caldo menos rico, porém maior produção por hectare (três vezes a produção da cana comum) e poder ser plantada em áreas degradadas”, compara. “Contudo, o que vai permitir dar um salto será conseguir que a palha chegue à indústria a um preço mais competitivo.”

 

O primeiro grande desafio para o etanol de segunda geração será converter essa biomassa, que está estável na natureza, e buscar a tecnologia pré-tratamento. É que essa estrutura precisa ser rompida para ter acesso aos açúcares. Outro desafio está na logística da biomassa, para torná-la eficiente, já que ela pode impactar negativamente a qualidade do processo.

 

A GranBio foi fundada em 2011. Tornou-se sócia em 2013 do BNDES e depois da Rhodia, para desenvolver bio n-butanol, que será primeiro bioquímico desenvolvido. O centro de P&D da empresa fica situado em Campinas, no Technopark, voltado ao desenvolvimento de leveduras. O Fórum Permanente prossegue à tarde com a seguinte programação.

 

 

Fonte: Portal agronegócio/ Foto: we.

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