Cientistas usam bagaço de laranja na produção de etanol

Pesquisadoras da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolveram um novo processo para obter etanol a partir do bagaço da laranja. Apesar dos bons resultados técnicos conseguidos pelo estudo, o processo ainda tem um custo elevado de produção em relação ao do etanol feito a partir da cana-de-açúcar.
Utilizando um microorganismo que pode causar a doença do cancro na fruta, elas conseguiram aumentar e acelerar a produção do combustível. Com uma tonelada do bagaço da laranja seco (o in natura tem três quartos de água), foi possível produzir 80,8 litros de etanol. A mesma quantidade de cana produz 85 litros.
Atualmente, a fabricação de etanol a partir da laranja só é feita com os açúcares que sobram depois de retirar o suco. A quantidade, porém, é mínima, de 2,3 litros. Já o bagaço da laranja é destinado comercialmente pela indústria do suco apenas para a produção de ração para complemento da alimentação de bovinos.
De acordo com ela, o avanço da pesquisa é importante porque o Brasil é um dos maiores produtores de laranja do mundo e o bagaço da fruta é 50% do total. “A outra metade é o suco”, disse.
De acordo com informações da Folha de São Paulo, o sistema de produção é 50% mais caro que o de etanol. “O desafio a partir de agora é aperfeiçoar a técnica de forma a reduzir os custos”, disse.
A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) analisa o desenvolvimento do processo em planta piloto para a produção em escala industrial. A professora disse acreditar que em dois anos poderá viabilizar a fabricação de etanol.
A direção da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos) informou que toda pesquisa que possa contribuir com o setor é bem-vinda, mas disse que desconhece a produção comercial de etanol a partir do bagaço da laranja.
Uma das maiores produtoras de suco de laranja do mundo, a Cutrale, por meio de sua assessoria, afirmou que não produz etanol a partir da fruta, mas que toda alternativa de desenvolvimento de pesquisa para geração de energia limpa é positiva. Já a Citrosuco e a Louis Dreyfus não se manifestaram sobre o assunto.

Fonte: Folha Online

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