Os omens onestos

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Bem, o leitor vai estranhar o nosso título, mas é isto mesmo, nós vamos falar de modernidade aqui no Brasil, que alguns acham que deveria ser escrito é com z mesmo, mas que bobagem, por que não, e falarmos de modernismo, neologismo, sociologia e ortografia, que são assuntos bem diferentes mas que, às vezes, podem ser misturados sem perder as suas características peculiares.

Primeiro, a queda do h na nossa sociedade. Acabou? Afinal para que h?

Antigamente, os homens faziam questão de dizerem que eram homens e alguns até enfatizavam que o H era maiúsculo, em estilo gótico e lá vai.

Hoje, já tem homes e omens e eles se confundem, pois é muito difícil se distingui-los, devido à hipocrisia excessiva que nos permeia, que não permite conhecermos um omem antes de um ou até dois calotes, por exemplo. Bigode, antigamente tinha valor, os fios do bigode, mas hoje, tudo isto é bobagem e como este assunto é longo, vamos falar somente sobre os omens onestos e esquecer esta estória de h, coisa do passado. Que bobagem, não é? “h”!

— Mas por isto meu professor?

—É por que o ano que vem é de eleições e nós não sabemos por que, mas eles, nesta época, pululam nas televisões, sempre de terninho, barba bem feita a nos falar de moralidade e outros assuntos congêneres, sempre sérios.

Por exemplo, o que é onesto? Onesto é só um neologismo, que significa que o circunspeto cidadão está entre o honesto, já em extinção, pois à biosfera de nosso país não permite as suas sobrevivências e os hernestos, que já é um outro tipo que não falaremos por falta de espaço, mas que são inconfiáveis.

Nunca diga que acredita num omem onesto. Diga que credita nele, pois eles, com seus créditos, são muito eficientes, já os hernestos não, nem com os créditos são confiáveis, mas tem gente que acredita neles. Pode? Confia. É!

—Ô meu amigo! Eu esqueci, mas nas eleições que vem conte comigo!

Cuidado, este cara é hernesto, inconfiável e não merece o seu apreço. O onesto não, eles são mais prestimosos e dizem: isto não importa! O que vale é você! Vem de lá um abraço e outras conversas moles já bem conhecidas e sempre esquecidas, pois alguns omens onestos só aparecem em eleições.

Só existe um meio de você enganar um omem onesto: é você fingir que acredita nele, na sua grandiloqüência, na sua fidalguia, sempre espontânea.

Este professor acha que o Ibama deveria se preocupar mais com os tais homens honestos que ainda existem em nossa sociedade, coitados, castrados, pois o meio os condena à extinção sem que possam fazer, ao menos, alguma coisa para preservar o nosso meio ambiente já putrefato, já que os hernestos e
os onestos, fedorentos, estão em franco crescimento demográfico e temporal, ocupando, cada vez mais, prestígio e posições e ninguém pode segurá-los.

Bem, as nossas palavras não são de pessimismo, são só de realismo, já que o hoje o mau cheiro pode ser sentido até na televisão e o que transmitimos aqui é apenas aquilo que a nossa imprensa se esqueceu de comentar mais.

Isto tem jeito? Tem! Tudo nesta vida tem jeito. Olhe bem o biótipo do tal e você verá claramente quem ele é. Se for um omem onesto, finja que você já o escutou e procure outro menos onesto, por que honesto mesmo, está difícil de ver meu amigo, principalmente sem lupas apropriadas.

Agora se você quer um homem honesto, procure com muita calma e tempo. Seja bem paciente.

 

 

Fonte: Carlos Pereira de Novaes. Professor da UEFS

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