A verdade sobre o Hospital Geral Clériston Andrade

O cirurgião geral Dr. João Victor do Vale, passou um filme sobre a vida do Hospital Geral Clériston Andrade, que tem uma impossível missão de prestar assistência a mais de 100 municípios pactuados.

A verdade é que inúmeras cidades sobrecarregam o HGCA, que não possui a mínima estrutura de atendimento. O Dr. João Victor, que frequenta o hospital desde o final do seu primeiro ano de graduação, terminou afirmando que não poderia ficar em silêncio. \\\”Não posso me sentir parte desse genocídio que tem sido praticado no Hospital Geral Clériston Andrade\\\”, disse o médico.

Ele trabalha em uma UTI de seis (6) leitos, que funcionava com cinco (5) por falta de cabos para monitorar os pacientes e atualmente está funcionando com apenas três (3) leitos por falta de material.

Essa verdade inclui a falta de glicose de 50% há vários meses e a glicose de 25% fica em falta por dias e dias. O estoque de Noradrenalina está reduzido e já faltou por inúmeras vezes. Quando essa droga falta os pacientes graves em quadro de choque podem ir a óbito em pouco tempo.

O Dr. João Victor afirmou que já presenciou pacientes morrerem de choque séptico por não ter disponível parbapenêmicos e polimixina B no momento. Inclusive se deparou com a falta de Peperaciclina/Tazobactam. Além da falta de Linezolida, morfina, dexmedetomidine, eletrodos, fraldas, noradrenalina e dobutamina.

Em outras situações ficou comprovado que os cabos de oximetria de pulso estão com péssimo funcionamento. Existe apenas um cabo para monitorar pressão arterial invasiva. Sendo normal a existência de dois ou mais pacientes ao mesmo tempo necessitando desse equipamento.

Outro absurdo. Existe apenas uma máquina de hemodiálise convencional para todo o hospital e uma para CVVHDF, que não tem solução de bicarbonato (apenas lactasol) e está sem filtro.

– O tratamento dos anti-hipertensivos, sofre constante alternância, ora são tratados com anlodipino e captropil, ora com atensina e propranolol. Em outras ocasiões o Minoxidil acaba e se é obrigado a passar um cateter central e iniciar Nitroprussiano de sódio para controlar a pressão arterial de um nefropata, comentou o médico.

Os relatos são chocantes, principalmente quando ele afirmou que sempre falta cateter e que já realizou gasometria arterial de duas (2) em duas (2) horas para monitorar glicemia de paciente com complicação do diabetes e em uso de insulina venosa em bomba de infusão, por falta de fita. E o que é mais grave : não existe no hospital cateter para monitorizar a pressão intracraniana de pacientes vítimas de traumatismo craniano grave, apesar de o Hospital ser referência em trauma.

Os relatos são assustadores, inclusive existe comprovação, através das \\\”comunicações internas\\\”, de que os diretores e o secretário Estadual de Saúde, Jorge Solla têm ciência de todos esses problemas.

Os coordenadores das Unidades de Terapia Intensiva do HGCA já oficiaram a Direção do Hospital, o CREMEB e já contataram pessoalmente com Jorge Solla sobre a situação.

Nada foi feito, no entanto, passaram a pressionar para que sejam abertos mais dois (2) leitos extras na UTI02, para totalizar sete (07) leitos. Como fazer isso se já foram fechados três (03) leitos do que existem por falta de material e de condições de trabalho?

A sociedade feirense tomou conhecimento sobre a realidade de uma unidade do HGCA, nomeada como SALA VERMELHA, que fica na emergência do hospital.
Pacientes morrem sem serem vistos.

Inclusive o médico faz um desafio aos gestores da unidade hospitalar, para que eles próprios publiquem os dados de óbitos e de taxas de infecção daquele local, onde são internados pacientes AGUDOS, com assistência de um único médico, um enfermeiro e poucos técnicos, para cuidar de mais de 20 pessoas com quadro grave. Às vezes morrem sem serem vistos. É um verdadeiro genocídio.

Essas denúncias foram realizadas quando os médicos das UTI\\\’S do HGCA entregaram uma carta coletiva de demissão e estipularam um prazo de 30 dias para que as condições mínimas sejam reparadas. O prazo está para vencer.

Acreditamos que depois dessa denúncia o governo tomou a atitude de demitir todos os diretores e promoveu a nomeação de uma nova direção para o HGCA. Mas, as denuncias deveriam ser apuradas, principalmente no caso da SALA VERMELHA. Pacientes morreram sem serem vistos. Pacientes morreram sem atendimento. Pacientes morreram por falta de medicamentos e equipamentos. O Ministério Público tem o poder de investigar. Será que essas denúncias merecem a atenção do Ministério Público.

Fonte: Carlos Lima com informações do Dr. João Victor do Vale, CRM-Ba 22.951.

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