Eles sempre nos decepcionam

Meus amigos não há como negar, há momentos que percebemos que nossa experiência pessoal interferiu na interpretação dos fatos e com isso nos decepcionamos ou chocamos uma grande parte das pessoas.

Em nossas vidas temos a alegria e a tristeza de, oportunamente, conviver com as pessoas.

Essa convivência pode criar afetividades e sentimentos de respeito confiança, ou não.

Quando confiamos, o que acontece na maioria das vezes, trazemos o contemplado para o convívio familiar.

E quando somos decepcionados, a dor é muito profunda. Dói nos ossos.

Na verdade, tínhamos desconhecido os avisos, do ingênuo ao de maior maldade. Nunca deve ter faltado um aviso. Mas sempre os rejeitamos pensando se tratar de inveja ou interesses outros.

Às vezes fechamos nossos olhos para a verdade e em situações duvidosas nos falta a experiência, a qual nos proporciona decisões precipitadas nas avaliações.

O tempo sempre registra os sinais. Registra os nossos sinais, o difícil é saber como os reconhecer.

Nos humanos estamos cheios de sentimentos e imaturidade emocional que nos faz acreditar no outro que está tão próximo.

E na maioria das vezes transferimos alta dose de honestidade e responsabilidade para quem está ao nosso lado, porque isso conforta o nosso coração.

O que não sabemos é que essa sensação surge da nossa incapacidade de enxergar a dura realidade da vida.

Ou porque realmente queremos acreditar.

Há muitos anos li um livro que reforçava a tese do emocional em detrimento do racional.

O Livro era ‘O Pequeno Príncipe’, de autoria de Sant Exupéry, e que nos transferia romanticamente a responsabilidade dos atos dizendo: “Tú te tornas eternamente responsável, por aquilo que cativas”!

Acreditei nessa frase por muitos anos: Cheguei a exercer essa responsabilidade. Que triste recordação. Que ausência de reconhecimento.

Entretanto o tempo passou e com ele, as experiências vividas, e com elas aprendemos. Aprendemos com o tempo que não é bem assim.

E assim descobri que essa frase não tinha nada de verdadeiro. Era muita emoção e pouca razão. Nenhuma verdade.

Afinal, estamos aqui para viver em coletividade, para somarmos ao lado de pessoas que desejam construir e ser justas. Sem mais desprezarmos a prudência.

Devemos estar dispostos a doar o nosso tempo, atenção, carinho e dividirmos conhecimentos e emoções sem abandonarmos a racionalidade.

Existe uma frase que é bem diferente do significado que o autor quis dar: “Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante”.

O significado só tem valor para os vegetais. A rosa não pensa, não fala. Ela é cem por cento, dependente do tempo e de quem a cultiva.

O ser humano não. E aí? Devemos ser responsável por quem tem livre arbítrio, pensa e fala? Devemos manter o mesmo sentimento de confiança? Uma rosa não trai, não engana, não mata! Devemos acreditar? Manter as mesmas posições?

Enquanto a rosa não sabe o que é ter liberdade ou ser escrava, o ser humano coloca a sua vaidade acima das liberdades, sejam elas individuais ou coletivas.

Age e profere palavras que fere. Pensa na vingança, na retaliação, transfere sua responsabilidade para o outro.

E termina caindo na sua própria armadilha. A armadilha de terceirizar responsabilidades.

É bem verdade que convivendo com determinadas irmandades poderemos nos modificar ao longo da vida. É a experiência adquirida, nunca comprada ou emprestada.

Eu temo aqueles que sobrevivem sobre a pressão dos grupos políticos. Eles me causam a impressão de que pretendem nos fazer beber cicuta.

Neles não podemos confiar. E as estatísticas ampliam meu temor, porque eles sempre nos deixam sozinhos.

 

Fonte: Carlos Lima

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