NOS BASTIDORES DA MAÇONARIA II

Espada Flamenjante

Esse grau não foi criado em homenagem ao Papa, como muitos parecem entender. Algumas das interpretações são tendenciosas por Maçons não esclarecidos ou que se auto proclamam cristãos-romanos. Não conhecem a história e dela não se interessam.

No princípio do 5º século, antes de nossa hera, 247 anos antes da fundação de Roma, Porsenna, Rei da Etrúria, querendo ré entronizar os Tarquinos, marchou para Roma à frente de um exército e ordenou forçar a passagem de uma ponte que lhe facilitava penetrar na cidade.

Os romanos, de sua parte, tinham também concentrado suas tropas junto à mesma ponte, a fim de resistir aos vivos ataques de Porsennas, que, encarando a causa de Tarquino como a de todos os reis, conduzia as operações com a maior energia e coragem.

Os romanos tiveram sempre desvantagem contra um chefe tão experimentado e estavam reduzidos à pura defensiva.

A cidade ia cair nas mãos de Porsennas, porque a ponte era abandonada pelos soldados de Roma, e os etrúrios avançavam fortemente.

Três oficiais romanos, porém, mal municiados, ousaram fazer frente aos atacantes. Um deles consegue persuadir os outros dois em cortar a ponte. Cocle sabia que era só nessa estreita passagem que se pode obstruir a entrada da coluna dos etrúrios, que tinham poucos homens de frente.

Sendo a ponte de madeira, os dois amigos tiveram tempo de a destruírem a golpes de machado.

Cocles que resistia com dificuldades, ouviu os gritos de alegria dos romanos, tendo a certeza de que a ponte fora destruída. Sob uma chuva e dardos Cocles se lança no Tibre, ferindo ao nadar no rio teve dificuldades na ida ao encontro os seus, mas, finalmente chegou e foi recebido na praia com muita euforia e admiração.

Os cônsules romanos determinou que uma estátua fosse erguida em sua homenagem.

Pois bem, foi em memória desta ação heroica, e para evitar no futuro outra ação e surpresa por parte do inimigo, que o povo romano fundou um colégio de homens, a quem a guarda e conservação das pontes foram confiadas.

Estes homens eram, como os nossos pontoneiros, carpinteiros e soldados, juntos, recebiam o nome de pontífices, e o que os comandava chamava-se summus pontifex.

Eis aqui a origem desta denominação. Mas esta dignidade tornou-se a mais considerável da República Romana. No ano de 92 da nossa era, Júlio Cesar a solicitou instantaneamente e a obteve.

Depois dele foi uma prerrogativa inerente aos imperadores romanos, até ao 3º século da nossa era, em que Graciano, imperador cristão, a rejeitou, porque ela pertencia à superstição dos gentios.

No entanto, o chefe da Igreja Católica a tomou para a sua dignidade – não consta da história a época desta determinação – ela, porém, deve ser anterior ao título de Papa, porque foi em 1090 que um concílio conferiu este último título, pois, se tem registrado que Santo Irineu, que vivia no século II, chamava o Bispo de Roma de Sumo Pontífice.

Portanto não existe mais necessidade de entrarmos em pormenores obre o Grau 19. Fica assim provado, além de toda a dúvida, que sua origem não foi em glorificação ao papado.

Como a verdadeira história confirma, o título de Sumo Pontífice foi usurpado pelo Bispo de Roman. Daí, com o correr dos tempos, enquanto a Igreja Católica não perseguia a Maçonaria e clérigos de muito conceito pertenciam a ordem, acredita-se que eles usaram o título para o Grau 19, como se referindo ao Papa, em glorificação do Catolicismo.

Não se pode conceber que a Maçonaria seja vazia de raciocínio e inteligência ao ponto de admitir que, o Catolicismo, e especialmente o Papado, tenha se tornando por muitos séculos, inimigo rancoroso e mortal de nossa Ordem, e ela ainda conservasse a homenagem que, alterando a origem da criação desse Grau 19, lhe designaram os clérigos e maçons católicos no início do século III, – se é que realmente isso aconteceu, no tempo que essa religião não tinha os preconceitos que veio ater depois da criação da Companhia de Jesus – Jesuíta.

Não, não se pode reconhecer. Não se glorificou uma Instituição que por sua inquestionável culpa e responsabilidade. Por ela ter derramado tanto sangue dos irmãos Maçons.

Os dados históricos que mudaram o comportamento da Igreja Romana para com a Maçonaria teve início com Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, no rompimento dos últimos chefes dos Templários, com Loyola fazendo surgir os Jesuítas, inimigos número 1 e mortal da Maçonaria. (esse é outro momento da nossa verdadeira história).

Posição pessoal de Carlos Lima

Fico muita vezes revoltado quando ouço – até de alguns maçons – comentários maliciosos feitos por pura ignorância das atitudes e da verdadeira história da nossa Majestosa Ordem.

Fico decepcionado quando a dividimos em masculina, feminina e mista. Somos uma irmandade de seres humanos que pratica a Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Na liberdade, decidimos como queremos nos reunir em loja, que pode ser só homens; apenas mulheres, e todos juntos – mista. Na igualdade não escravizamos ninguém pelos nossos princípios. Se somos iguais, onde se encontra a separação. Se os nossos princípios dizem que devemos combater a vaidade, o vício, a tirania e as paixões, como podem afirmar a nossa fraternidade diante da prática do preconceito entre os próprios irmãos?

Voltando ao Grau 19, podemos resumir dizendo que ele é consagrado às ações heroicas e ao pontificado da razão. A filosofia do Grau se resume a: “O homem deve ao seu semelhante além do amor, atos que provem sua afeição. Eis o Grau 19, o Grande Pontífice, expresso na legenda dos heróis romanos, defendendo Roma, com sacrifício da vida, contra a invasão de Porsenna. Esse pensamento está ainda expresso na antiga liturgia o Grau, quando o candidato se despedia das insígnias de Rosa-Cruz, para se atirar ao precipício, em busca da Verdade, significando que devemos nos despojar de nossas vaidades por amor à felicidade da humanidade.”

Carlos Lima

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