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As quadrilhas juninas representam uma enorme resistência’, avalia Luana Felix

Quadrilha junina

Conhecidas por suas coreografias ensaiadas, trajes coloridos e música animada, as quadrilhas juninas são importantes expressões culturais do Brasil, especialmente na região Nordeste. Elas reúnem a comunidade para celebrar santos populares como São João, Santo Antônio e São Pedro.

Nos últimos anos, os grupos têm mostrado capacidade de adaptação e inovação, incorporando elementos contemporâneos e utilizando tecnologias digitais para ampliar seu alcance.

Essa evolução tem contribuído para manter a relevância das quadrilhas no cenário regional e nacional, permitindo que elas promovam a inclusão social celebrando a diversidade cultural.

Sobre o tema, o Trilhas do Nordeste, programa do Brasil de Fato Pernambuco em parceria com a TVT, entrevistou Luana Felix, que há cerca de 10 anos é diretora de arte da quadrilha pernambucana Dona Matuta. Confira.

Luana destaca a importância e o papel das quadrilhas juninas no Nordeste. “Acredito que a movimentação e a capacidade de abarcar tantas pessoas em uma manifestação cênica nos permite comparar as quadrilhas no Nordeste com as escolas de samba no Sudeste”, avalia.

Felix aponta similaridades. “Assim como as escolas de samba, a quadrilha envolve música, corporeidade e uma narrativa desconstruída, se firmando como numa grande representação cultural da nossa região”, explica Luana. “Este ano estreamos com um grande ensaio aberto ao público em que reunimos 7 mil pessoas”, completa.

Luana também enfatiza o papel educacional das quadrilhas. “É uma grande escola de artes, que forma dramaturgos, figurinistas, maquiadores, coreógrafos, atores e bailarinos, muitos dos quais nunca participaram de uma escola formal de arte”, afirma.

Sobre sua trajetória pessoal, a diretora de arte compartilha sua conexão profunda com as quadrilhas juninas. “Sou quadrilheira desde pequena. Minha mãe era jurada de quadrilhas juninas e tenho fotos de bebê com ela julgando quadrilhas enquanto me segurava no colo”, diz ela.

Luana cresceu brincando nos arraiais e dançando na quadrilha junina do seu bairro. “Passei por vários personagens, como noiva, rainha, cangaceira e princesa. Eventualmente, me juntei à quadrilha Dona Matuta, onde participo há quase 10 anos, ajudando a escrever, desenvolver temas, construir personagens e preparar o elenco”, recorda.

Felix acredita que a projeção das quadrilhas aumentou significativamente graças à criação de um “setor de mídia próprio”. “Temos quadrilhas com 50 mil seguidores no Instagram e rainhas com 20 mil seguidores. Isso mostra a magnitude e a importância da quadrilha dentro do movimento junino.

A mídia tradicional, como a televisão, também contribui, mesmo que com poucos minutos de visibilidade, dando aos quadrilheiros um momento de fama e reconhecimento”, diz ela.

As quadrilhas juninas também são espaços de resistência política e social. “As quadrilhas representam uma enorme resistência. Fazer quadrilha hoje é muito difícil, especialmente financeiramente. Muitas quadrilhas deixam de participar por falta de recursos, principalmente as mirins.

As crianças muitas vezes querem dançar, mas os pais não têm dinheiro”, lamenta, citando iniciativas como rifas, bingos e festas visando arrecadar dinheiro.

Mas a quadrilha é um espaço de resistência também para grupos violentados pela sociedade. “As quadrilhas são espaços de acolhimento, mas enfrentamos desafios com a aceitação de diversas identidades e expressões dentro do grupo. A resistência e a determinação dos quadrilheiros são fundamentais para manter essa tradição viva”, conclui Luana.

Rodolfo Rodrigo

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