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O problema não é “Lula já ganhou’, é “Bolsonaro já perdeu’

Ddemocradura, um ganhou, o outro já perdeu?

É um erro achar que Jair Bolsonaro necessariamente sairá derrotado nas eleições e que isto são “favas contadas”.

Se pensarmos em número de votos, sim, isto parece provável, mas para Bolsonaro eleições não se decidem com votos, mas com ter ou não poder para afirmar-se vitorioso.

É a cartilha Trump, mas aqui com um fato a agravá-la: o uso das Forças Armadas como instrumento de coação contra a verdade eleitoral é não apenas presente como, por todos os fatos que assistimos, imenso e ameaçador.

E um Poder Judiciário que, diante dele, desde a famosa ‘tuitada’ do general Villas-Boas no julgamento de Lula, a isso se abaixa que não é bom lembrar o que acaba aparecendo.

O fiasco da manifestação golpista de Sete de Setembro parecia ser – e de fato poderia ser – o refluxo do ataque bolsonarista ao voto popular.

Mas a plasticidade das colunas vertebrais de Luís Roberto Barroso, reabriu a porta para aventuras ao convidar – alegando que isso acalmaria o golpismo – as Forças Armadas para supervisionar a lisura das eleições.

Desconhece-se em qual compêndio jurídico consta esta determinação, mas Bolsonaro não perdeu tempo em jurar respeito às urnas colocada sob algum comando dos militares e fez inserir na comissão de Barroso um militar que cooperasse com seus abusos.

E diretamente subordinado a quem pode ser o seu vice, na chapa eleitoral, o Ministro da Defesa, Braga Netto.

Barroso, porém, continua flutuando no universo onírico dos seus punhos de renda e declara na Folha de hoje que “os ciclos do atraso [referindo-se a ameaças institucionais] estão superados:

—Eu não acho que haja uma ameaça real, mas houve momentos de preocupação, como o comício na porta do quartel-general do Exército, como tanques de guerra na Praça dos Três Poderes, como ataques infundados ao sistema eleitoral, o pronunciamento do 7 de Setembro com ofensas ao ministro do Supremo e a declaração de que não cumpriria mais decisões judiciais.

“Só” isso, ministro?

Quando é que houve isso em nosso período democrático?

Em que democracia no mundo faz-se algo assim?

Como guardião do coração da democracia, as eleições, Barroso não tem o direito de fazer esta lista e dizer, em seguida, que “em mais de 30 anos de democracia do Brasil, os militares não se envolveram em política e não creio que queiram se envolver em política”.

Ora, é preciso ser muito tolo para não ver que estão envolvidos até a alma, muito embora todos queiramos crer que ainda há oficiais generais que não o desejem, mas que jamais o assumiram publicamente.

Tem toda a razão o professor de Direito Constitucional Conrado Hubner Mendes ao escrever, em seu artigo no mesmo jornal:

Generais do TSE, alçados a fiadores últimos das eleições, nem precisam inventar fraude. Basta assoprar dúvida sobre a urna eletrônica para que o “discurso de golpe” torne-se incontestável e não-falseável. Formou-se arranjo institucional para que a “Grande Mentira” viceje.

Barroso, diz ele, “Nunca se permitiu levar Bolsonaro a sério. Afinal, como um sujeito rude e tosco, com “limitações cognitivas e baixa civilidade”, apresentaria “risco real”? A imodéstia dos bacharéis também cria suas distorções cognitivas.

Para que “Grande Mentira”, armada em todos os sentidos da palavra, não viceje é preciso que outros personagens que, como Barroso, se afogam na própria vaidade, compreendam que esta não é uma eleição “normal”, exatamente pelos riscos golpistas, mas um plebiscito sobre termos ou não um governo que recoloque as coisas no lugar.

Inclusive as Forças Armadas.

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