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Como Eike conseguiu seu ovo milionário e quanto pagou por ele?

Muitos brasileiros ficaram abismados com a opulência dos bens apreendidos sexta-feira, 7 de fevereiro, na casa do empresário Eike Batista, no Rio de Janeiro.

A televisão exibiu a imagem de uma Lamborghini 2012, automóvel esportivo italiano avaliado em R$ 2,5 milhões, por exemplo.

Mostrou ainda, entre as raridades, a imagem de um ovo de Páscoa feito de metais preciosos e pedras idem, moldado um século atrás pelo joalheiro russo Peter Carl Fabergé (1846-1920).

Em seu relatório, a Polícia Federal descreveu-o no meio dos bens apreendidos, sem maior destaque, seguido por dois motores para lancha, um computador, um celular, uma escultura e 16 relógios. Deveria ter sido em primeiro lugar.

No ano passado, um negociante de sucata do meio-oeste dos Estados Unidos comprou um ovo irmão do que tomaram de Eike em um mercado de pulgas.

Em casa, descobriu que era dono de uma jóia avaliada em US$ 20 milhões. Em 2007, outro ovo Fabergé foi negociado por US$ 18,5 milhões pela casa de leilões Christie’s, de Londres.

Os preços siderais se devem ao fato de os ovos Fabergé serem obras-primas da ourivesaria universal.

O joalheiro russo dominava magistralmente a técnica do esmaltado, da manipulação do ouro, da prata, da platina, do cobre, do níquel, e do paládio.

Combinava-os em proporções que resultavam em cores variadas, do amarelo ao branco, do verde ao vermelho.

Enriquecia suas peças valiosíssimos com diamantes, rubis, quartzos, jades, ágatas, etc.

Calcula-se que Fabergé fez 56 ovos entre 1885 e 1917, quando a revolução bolchevista o obrigou, por suas ligações com a família imperial, a exilar-se na Suíça, onde morreu pouco tempo depois.

Hoje, 44 deles estão no acervo de museus públicos e coleções privadas do mundo inteiro.

Outros cinco são conhecidos através de descrições, desenhos ou fotografias. Sabe-se que 14 saíram da Rússia a partir de 1927, vendidos pelo ditador comunista Joseph Stalin, que precisava obter moedas estrangeiras para oxigenar as finanças do seu país.

Fabergé produziu o primeiro ovo em 1885, sob encomenda do czar Alexandre III, da Rússia, que o presenteou na Páscoa à mulher, Maria Feodorovna.

Externamente, parecia apenas uma bela jóia esmaltada. Entretanto, abria-se como uma matryoshka (bonecas russas de madeira que vão diminuindo de tamanho, colocadas uma dentro da outra).

Primeiro, havia uma gema de ouro; dentro se encontrava uma galinha de ouro; o interior desta escondia uma coroa de diamantes; no coração da coroa brilhava um pingente de rubi, réplica em diamante da coroa imperial russa.

Fabergé produziu dez peças só para Alexandre III. Seu sucessor, Nicolau II, encomendou mais 44 para dar na Páscoa à czarina e à sua mãe – era filho extremoso e esbanjador. Como Eike conseguiu seu ovo milionário e quanto pagou por ele?

A Polícia Federal não tinha nenhuma noção do valor da peça que estava sendo apreendida e misturou com outras de valor insignificante.

Fonte: Revista o GOSTO

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