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A MORTE DE KEITY/POR CARLOS LIMA

Keity e Luzia

Como iniciar a história final da minha rainha?

Não tenho forças para escrever o que sinto. Muitos podem dizer que é exagero de minha parte. Não é. Mas não vou condenar essa dedução. Nenhuma das pessoas que venham a ler essa narrativa, verídica, conviveu com Keity.

Keity era uma amiga fiel, nos amava incondicionalmente, nos recebia em qualquer situação com galhardia e muita festa…

Não tenho vergonha de dizer, ‘parei de escrever por diversas vezes porque estava chorando’. Não existe nenhuma forma de conforto para superar essa perda, e ninguém jamais conseguirá inventar algo que possa diminuir minha tristeza.

Keity era da raça Cockers Spaniel inglês, uma cadela inteligente que se sentia responsável por nós. Éramos a sua família. Ela nossa filha. Nos sentíamos felizes em sua companhia. Sua presença era incentivo a felicidade.

Keity fazia com que reconhecêssemos que a vida, mesmo diante de todas as dificuldades valesse a pena ser vivida.

A doença de Keity continuava presente mesmo com toda medicação e acompanhamento veterinário. Nos últimos dez dias de vida os sintomas se agravaram. Keity não mais andava, se alimentava deitada e com muito sacrifício. Chegou ao ponto de ministrarmos a alimentação através de uma seringa, depois de batermos os alimentos no liquidificador.

O sofrimento era imenso para todos nós.

Relatamos o fato ao veterinário, o estado de Keity tinha se agravado. Perguntei se existia qualquer outro tipo de tratamento, não importava o custo, tínhamos que salvar a vida de Keity.

O veterinário pediu que a levasse novamente a sua clínica para uma nova revisão e exames.

Não tinha três dias que ele tinha feito uma bateria de exames. Pensei logo no pior. Meus olhos encheram-se de lágrimas. Meu Deus. Keity não vai voltar.

Minha esposa perguntou pelo telefone: você vem para levarmos Keity ao veterinário?

Respondi de imediato: Não posso, tenho muito trabalho. Pegue um taxi, acerte para ele ficar lhe esperando, quando terminar ele retorna com vocês.

Essa foi uma grande mentira. Simplesmente não tive coragem de ouvir o resultado, ou melhor, já desconfiava que algo de ruim estava para acontecer.

Quando foi pelas 16 horas do dia 17 de novembro de 2011, ela me telefonou. Meu coração disparou. Estava com a voz embarga disse:

“Bem. Vou colocar você para conversar com o veterinário”.

Eu já estava quase chorando. “Carlos, Keity está sofrendo muito, a situação é irreversível, a doença avança, é uma questão de poucos dias, o sofrimento dela só vai aumentar, minha recomendação para evitar esse sofrimento é a eutanásia”.

Não tive qualquer reação, depois de um longo silêncio, perguntei: doutor não existe nenhum remédio ou tratamento para salvar a vida de Keity?

– “Infelizmente não”, disse ele.

Não sei como respondi: Está certo doutor. Desliguei o telefone, minha esposa sabia como eu estava.

As imagens de Keity desfilavam em minha mente. Fui ao sanitário e chorei profusamente, era impossível controlar.

Keity, a rainha de minha casa morreu…

CARLOS LIMA

Neste sábado, 30 de novembro de  2021. voltei a ler a narrativa da morte de minha Keity e as lágrimas mais uma vez estão molhando a mina face.

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