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Agência Espacial Brasileira deveria ser subordinada ao presidente do Brasil, defende diretor do INPE

Guilherme Correia

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Clezio Marcos de Nardin, afirmou nesta terça-feira (21), durante o 4º Fórum SpaceBR Show, maior feira espacial da América Latina, que a Agência Espacial Brasileira (AEB) deveria ser vinculada à presidência e haver um maior investimento no setor por parte do Estado brasileiro.

A AEB é uma autarquia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, responsável pelo programa espacial do Brasil.

“Com todo respeito ao ministério, a agência está sublocalizada. Em países equivalentes ao nosso, hoje, suas agências estão ligadas à presidência. Na Índia, por exemplo, o orçamento é muito maior que o nosso”, disse ele, durante apresentação.

Nardin comentou que entre as metas de sua gestão estava tornar o órgão menos acadêmico e produzir mais projetos. Ele afirma que o próximo satélite feito pelo instituto elevará padrões e tornará o Brasil um dos poucos países que possui tal tipo de tecnologia.

“Fizemos um plano de desenvolvimento, transformando o INPE, uma instituição que é bastante acadêmica, em uma instituição que é um ICT [Instituto de Ciência e Tecnologia], voltada para projetos.”

Ele defende que é preciso ter força política dentro do setor espacial para que ele progrida. Além disso, que haja uma participação civil, dedicando os fins não apenas para o âmbito militar.

“A defesa é muito boicotada quando tenta importar qualquer peça. O mercado espacial é extremamente restrito e extremamente fechado.”

“Precisamos dar governança adequada à AEB. O setor espacial não é um setor econômico apartado, ele é parte da infraestrutura nacional”, ressalta, exemplificando que o INPE tem entregado informações para diferentes órgãos durante a crise no Rio Grande do Sul.

O diretor ressalta, inclusive, que conflitos ao redor do mundo influenciam diretamente no programa espacial. “Hoje, para o INPE, que é civil, importar peça, eu tenho que assinar acordo de confidencialidade. Se para mim que sou civil é difícil, imagina para esses caras que estão tentando fazer um artefato que é dual e que pode ser usado para a defesa.”

O brigadeiro do ar Rodrigo Alvim de Oliveira explica que o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) é um conjunto de atividades civis e militares, incluindo instituições acadêmicas, mas que não é formalizado totalmente enquanto um programa espacial, da mesma forma que os de outros países.

O vice-presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), Jadir Gonçalves, destaca o crescimento da participação da indústria brasileira no setor espacial brasileiro, desde a década de 1980, contando com apoio vital do INPE para fabricar equipamentos. Ele também defende que haja um equilíbrio entre as participações privadas e públicas no segmento.

Guilherme Correia

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