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Aposente-se ou não, Cármen Lúcia sabe que o dono do STF é Gilmar Mendes

Carmem e Gilmar

Cármen Lúcia afirmou que quer voltar a dar aulas no início de 2018 na PUC de Minas Gerais.

 Sua intenção não é se aposentar do Supremo, como foi noticiado.

Cármen pretende concertar suas funções como presidente do tribunal com o magistério.

Ela fez uma palestra em aula inaugural da Faculdade Mineira de Direito. Na chegada, foi chamada de golpista por um grupo de manifestantes.

Sua aposentadoria é, ao fim e ao cabo, irrelevante.

Seja quem for o cidadão a se sentar naquela cadeira, quem manda no STF é Gilmar Mendes.

Gilmar é onipresente, onisciente e onipotente.

Sua presença na vida nacional é esmagadora.

É o Caetano Veloso da vida real (Cármen é Gilberto Gil, sempre num segundo plano, distribuindo declarações anódinas, embora toque melhor o violão).

Gilmar se vê no direito de dar aulas sobre ética enquanto janta no Jaburu, fora da agenda, com políticos que está julgando, como Michel Temer e Aécio Neves.

Ele pauta a discussão sobre os rumos do país, a necessidade ou não de reformas, o que é bom ou ruim para os brasileiros, o que é caixa 2 e o que é fiado, quem vai para o céu, quem desce para o inferno e quem fica no purgatório.

Em relação a Aécio, Gilmar Mendes não faz questão de esconder nada, numa novela ruim cujos capítulos constrangedores vão se sucedendo ad eternum.

O lance mais recente é a autorização para prorrogar por sessenta dias o prazo para conclusão da investigação de dois inquéritos contra o “Mineirinho”

Um deles é sobre a maquiagem de dados na CPI dos Correios, em 2005, e a ligação entre o Banco Rural e o mensalão mineiro.

O outro é sobre Furnas, em que Aécio é acusado de receber propina do ex-diretor da estatal, Dimas Toledo, num esquema de desvio de recursos.

Em novembro, Mendes já havia autorizado uma extensão de outros dois meses no mesmo processo.

Há dias, Gilmar Mendes ridicularizou a proposta de Cármen de um plebiscito ou referendo para definir os pontos de uma reforma política.

“Essa sempre aparece”, ironizou.

“Eu acho um pouco difícil, tendo em vista a tecnicalidade. Daqui a pouco, vamos ficar perguntando sobre a qualidade da carne em plebiscito”.

Boa, essa, não.

Cármen vai dando o ar da graça em eventos da Globo.

Num tal encontro “E agora, Brasil?”, com mediação de Miriam Leitão e Merval Pereira, proferiu as platitudes de hábito.

“Tenho a convicção de que a luta pela democracia é permanente”, pontuou.

“É o momento de despertar”, disse Cármem.

Enquanto ela cochila de pijama, Gilmar toca o negócio. (Kiko Nogueira)

E viva a justiça brasileira (cljornal).

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