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Cidade italiana se revolta com proposta de cidadania a Bolsonaro

Entrou CPI na homenagem a Bolsonaro

A cidade italiana de Anguillara Veneta se revoltou com a proposta da prefeita Alessandra Buoso de conferir cidadania honorária ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Vereadores se mobilizam para barrar a medida, que será votada pela Câmara Municipal em sessão convocada para a tarde desta segunda-feira (25).

Segundo Buoso, o título de cidadão a Bolsonaro se justifica pelo fato de um bisavô paterno do presidente ter nascido em Anguillara, cidade de pouco mais de 4 mil habitantes, situada 80 quilômetros a sudoeste de Veneza. Mas a prefeita não terá vida fácil.

Segundo o vereador Antonio Spada, de oposição, a homenagem representaria um “prejuízo aos cidadãos de Anguillara e uma afronta às vítimas da pandemia de Covid no Brasil” – onde mais de 600 mil pessoas morreram em decorrência do novo coronavírus.

“Bolsonaro nunca promoveu a imagem de nossa cidade, mas está recebendo essa honraria apenas porque tem um bisavô nascido aqui. Rechaçamos a ideia de que Bolsonaro se torne modelo e exemplo para os cidadãos de Anguillara Veneta e o fato de essa escolha ser um ato imposto sem consultar a população”, disse Spada.

O ato de convocação da Câmara Municipal para discutir a cidadania honorária foi assinado pela prefeita em 20 de outubro, mesmo dia da leitura do relatório da CPI da Covid no Senado Federal.

Além de crimes contra a humanidade, o pedido de indiciamento escrito pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL) acusa Bolsonaro de epidemia com resultado morte, infração de medida sanitária preventiva, charlatanismo, incitação ao crime, falsificação de documento particular, emprego irregular de verba pública e prevaricação.

O documento também enquadra o presidente em dois crimes de responsabilidade: violação de direito social e incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo.

“Vamos nos opor a essa decisão, cuja responsabilidade recai exclusivamente sobre a prefeita e seus vereadores, que tentam nos convencer de que Bolsonaro é uma boa pessoa nos dizendo que não devemos avaliar a situação no Brasil, apenas suas origens. Isso é inadmissível e vergonhoso”, acrescentou Spada.

Já o vereador Fabrizio Biancato, também de oposição, disse que “não basta ter um bisavô de Anguillara Veneta para merecer a cidadania honorária”.

Ele também criticou a homenagem: “Por aquilo que (Bolsonaro) fez e aquilo que está fazendo, estamos falando de uma pessoa que deve responder a acusações em tempos de pandemia e continua a fazer uma política negacionista e contra a vacina, que sempre demonstrou falta de respeito pelas pessoas e pelo meio ambiente e que é artífice de escolhas que fizeram retornar o desespero e a fome no Brasil”.

Questionada pela Ansa se estaria confortável em conferir a cidadania honorária a um homem acusado de crimes contra a humanidade,

Buoso disse que até quarta-feira passada não sabia sobre o relatório da CPI. “Não posso entrar na política brasileira. Infelizmente, o momento não foi favorável. Não posso dizer mais nada por enquanto.”

Ansa

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