Discurso de Bolsonaro na ONU nega evidência da diversidade religiosa no Brasil/ Por Sérgio Jone

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De acordo com o pesquisador de Igreja, sociedade e direitos civil o teólogo Ronilso Pacheco, ele deixou transparecer, durante entrevista concedida ao Instituto Humanistas Unisinos, Como bastante questionável o discurso na ONU, proferido recentemente pelo arremedo de presidente Jair Bolsonaro.

Classificou o mesmo como carregado com forte viés de fundamentalismo religioso, que por extensão promove a manutenção do preconceito histórico contra as religiões de matriz africana, atravessadas pelo racismo estrutural existente no Brasil.

Bolsonaro ao afirmar que o Estado brasileiro é por definição laico e logo em seguida fazer a ressalva de que o país é cristão e conservador. Tal declaração, soa para o estudioso teólogo do tema, como uma forma de discurso que objetiva simplesmente suprimir as religiões mais vulnerabilizadas no contexto religioso do país.

O que considera uma tomada de postura perniciosa e nociva para a própria pluralidade social, não apenas do ponto de vista das crenças, mas nos seus mais diversos contextos concernentes ao assunto.

Para Pacheco não é apenas a convicção religiosa do presidente ou de integrantes do governo que é cristã. Mais do que a convicção religiosa trata-se de uma construção de um projeto político que passa pela perspectiva religiosa imposta, de maneira generalizada, para a sociedade, para as políticas públicas, para o reconhecimento de grupos e minorias sociais.

O que significa considerar essa tomada de postura como responsável por promover e acarretar um impacto muito maior do que o religioso.

Pois nega a evidência e o reconhecimento da presença da diversidade religiosa. Que não reconhece as violências sofridas pelas religiões de matriz africanas.

Como também a existência de uma grave ameaça às liberdades individuais, quando as propostas do governo são feitas sob o crivo de perspectivas cristãs fundamentalistas e conservadoras.

Sérgio Jones, jornalista (sergiojones@live.com)

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