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Maçonaria: declínio ou acomodação/ por Carlos Lima

Meus irmãos há muito que parte da nossa instituição vem sofrendo um declínio na iniciação de candidatos mais jovens.

O percentual atinge proporções não esperadas, tão pouco, não devidamente avaliadas, ficando em mais de 80%. O que significa abandono definitivo.

O mesmo acontece com profissionais destacados, influentes, mesmo a Ordem cedendo em alguns pontos, no máximo se registra frequência entre 9% e10%, anualmente.

Mesmo assim, ouvimos algumas vezes de que eles são   pontos positivos para determinadas ações Maçônicas.

Todos nós sabemos que para sociedade profana, o título de Maçom gera status social e abre muitas portas.

Muitos dos candidatos visam apenas os seus interesses. Sendo um profissional conceituado tem a certeza de que os graus chegarão sem maiores esforços, e sua presença física nas reuniões será compensada pelo seu nome profissional e a influência que exerce.

Em pouco tempo o fato se comprova ao receber o grau 33.

Basta pagar o que deveria ser estudado e praticado.

Esse fato não é generalizado, são concessões para uma esmagadora legião de irmãos.

Existe loja, por exemplo, que possui quase 50 membros, mais de 20 médicos, na reunião você não encontra um deles. Mas não é apenas uma reunião, são todas.

As vezes passam um ano sem ver o templo, no entanto, estão rigorosamente em dia com os compromissos financeiros da Loja.

Socialmente tem uma vida Maçônica ativa, jantam com irmãos, vão a casamentos, aniversários, churrascada e outras atividades socias com irmãos de várias lojas. Mas para as reuniões de sua Loja. Não têm tempo.

Suas ações Maçônicas se resumem, vez por outra, atender uma solicitação do Soberano, ou venerável mais próximo ou até mesmo de um irmão.

E todos acreditam que assim estamos fortalecendo a Maçonaria.

Os políticos também fazem isso. Nós não pedimos nada em troca, mas os políticos querem o voto.

Devemos fazer prevalecer que nós não fizemos, quem fez foi a Maçonaria.

A Maçonaria não pode ficar no anonimato. Nós podemos, ela não.

Outro fato. Esses maçons sabem apenas os sinais.

A maioria não precisa nem aprender a marcha, nunca lhes será cobrada essa formalidade. Seu título profano assegura essas concessões.

Não vou me aprofundar, mas tudo parece ser uma relação de interesses. Não pensem que estou generalizando. Destaco poucas exceções.

E assim acreditamos que estamos ajudando o próximo e cumprindo a nossa missão e com isso fortalecendo nossa ordem. Igualdade Fraternidade e Liberdade.

Sequer avaliamos que nosso quadro operativo enfrenta o envelhecimento e o desinteresse dos mais jovens.

Essa é outra verdade já constatada.

Se o topo dessa pirâmide se fragiliza imaginem o que acontece com sua base.

Lógico que a dedução mais consequente é de que essa base é usada para sustentar aqueles que não venceram, compraram e se acham poderosos.

O resultado reflete nos quadros, hoje, formados pela   maioria de irmãos idosos. A renovação se torna cada dia mais difícil.

O caminho desses irmãos tem um futuro de curto a médio prazo, o Oriente eterno, sem contarmos com as surpresas que a morte nos prega diante da vida.

Notamos que há médio e longo prazo, a existência de nossa irmandade está ficando seriamente ameaçada.

Tenho como visão pessoal, de que pouco ou quase nada a Maçonaria está fazendo para identificar a raiz do problema.

Esse problema parece que não preocupa, vamos tocando a vida sem projeto de futuro para a irmandade. O tratamento dado é periférico, objetiva apenas a realização de novas iniciações, as metas são determinadas, como se essa fosse a questão maior, além do mais, nem sempre as são cumpridas.

Ainda temos a questão que frisamos inicialmente. Quando realizamos as iniciações, 80% desistem muito antes de completar 90 dias de iniciado.

O que nos falta. O que está faltando para construirmos as condições motivacionais e o desejo de praticar a Maçonaria.

Eu disse praticar, não teorizarmos ou partidarizarmos.

Atualmente temos um dos pilares mais importantes para formação de futuros Maçons. Os Demolay.

Mas, até quando.

Se não identificarmos a raiz do nosso problema. Eles, (os Demoley). Não tenham dúvidas, irão vivenciá-los. Não subestimem, é apenas uma questão de tempo.

Precisamos ser adaptáveis sem perder a essência, precisamos pensar o Maçom de hoje, do século XXI, da ‘era’ tecnológica e da inteligência artificial

A vida de hoje tem um novo sentido e a vida prática dos Maçons neste mundo em ebulição, precisa entender e se adaptar a esse novo mundo.

Conhecer a Maçonaria dos séculos passados tem uma importância histórica, que deve ser resumida aos fatos essenciais, à nossa simbologia, filosofia e espiritualidade.

O aprofundamento fica por conta de cada um.

Quero apenas me posicionar diante do que enxergo no momento, por isto ouso colocar para os irmãos, com o objetivo de reflexão, discussão e análise. Se esse for o caso.

O seguinte:

Entendo ser necessário ligar detalhadamente a pedra bruta ao ‘EU’, esse deve ser o primeiro ato após concluída a iniciação, seguido das orientações de como entrar no templo e nele se mover.

A identificação Maçônica, o toque, só deve ser passado após a participação ininterrupta das primeiras quatro sessões como aprendiz.

Se ele desistir antes leva esse segredo inicial para o mundo profano e pode se identificar como aprendiz em qualquer lugar que chegue.

Sempre teremos esse risco, mas porque antecipar logo para o dia da iniciação.

Essa curiosidade será uma busca do iniciado, tempo que a loja, com seus mestres, poderá despertar mais interesse no aprendiz.

Se você diz tudo. Fica muito fácil. Não tem conquista por mérito.

Demonstrar com exemplos de que o Maçom é disciplinado, impoluto e respeitoso com a execução dos ritos em Loja.

A perfeição dessa execução tem o toque de Midas na consciência do iniciado.

Nada deve ser improvisado. Nos primeiros seis meses do aprendiz se deve evitar o encerramento da sessão com um golpe de malhete.

Precisamos pensar, conhecer e discutir Maçonicamente a realidade de forma sociológica política e econômica, do momento presente, sem envolvimento político partidário, tendo como base a essência Maçônica.

Tornar feliz a humanidade.

A Maçonaria como fraternidade, irmandade, solidariedade e convivência igualitária, “virgula”. Para uma maioria, se desfaz em um sopro, quando os interesses pessoais são feridos.

O normal é prevalecer o instinto de sobrevivência. Lógico que as causas variam de pessoa para pessoa.

Aí se localiza as vaidades não vencidas, os vícios não chegaram as masmorras e o instinto de competividade e poder que deveriam estar soterrado pela essência Maçônica, estão a salvo no submarino da fama, vez por outra deixa este “Eu” emergir das profundezas.

Posso está errado, no entanto acredito que os erros iniciáticos e o processo de instrução dos aprendizes refletem decepções, rompimentos quase silenciosos e explosão de sentimentos na busca do poder.

Carlos Lima

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