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Manipulação midiática conduziu Bolsonaro ao poder/ Por Sérgio Jones*

Bolsonaristas tripudiam de mortes pelo covid-19

De acordo com artigos de renomados intelectuais brasileiros considerados sérios, eles reconhecem o fato de que a ascensão da besta Jair Bolsonaro à presidência foi o antipetismo que alguns apontam o surgimento do movimento a partir de 2006.

Em excelente artigo elaborado pelo professor de ciência política da UFMG Leonardo Avritzer, ao qual utilizo alguns trechos considerados de significativa relevância, aponta ele, a seletividade no combate à corrupção mirando membros do Partido dos Trabalhadores e optando, independentemente das provas, por não investigar membros de outros partidos, em especial do PSDB, o antipetismo adquiriu uma dimensão moral e antipolítica.

No decorrer de sua narrativa, destaca a questão moral, e a enorme manipulação midiática da população brasileira que passou a ideia da existência de que havia um campo político corrupto, ocupado pelo PT, e um não corrupto, que envolvia as forças de centro.

Conceito inicial se diluiu na medida em que as evidências contra as forças de centro prosperavam, em especial contra o PMDB e o PSDB. Sendo o campo da virtuosidade ética direcionado para a direita que culminou com a deplorável figura de Jair Bolsonaro.

Ele destaca como também um dos fatores importantes o crescimento de uma dinâmica antipolítica junto com a moralização do antipetismo. Que resultou na seguinte equação: ” se a corrupção for retirada da política ou se esta for saneada, o bom governo estará automaticamente garantido”. Concepção que colocou o eleitorado de classe média das regiões sul e sudeste nos braços de Jair Bolsonaro.

Para o nobre educador a concepção do governo ou (des) governo do atual presidente decorre da concepção de antipolítica que se desenvolveu no Brasil e supõe que a não composição política com o Congresso Nacional constitui uma forma de governo.

Uma vez que o presidente montou um ministério no qual pouquíssimos ministros tinham relações com partidos. Entre eles destacam -se Gustavo Bebianno, Onyx Lorenzoni, Luiz Henrique Mandetta e Osmar Terra.

Sendo que apenas dois deles sobrevivem ao trator presidencial e à sua estratégia de desvalorizar seus próprios ministros. Onyx Lorenzoni que sobrevive com poderes reduzidíssimos e Luiz Henrique Mandetta subitamente enfrenta um pico de exposição em virtude da crise sanitária.

Para Avritzer o protagonismo de Mandetta não representa apenas uma relativização da figura do presidente. Ele é muito mais, porque representa a reabilitação da ideia de governo baseado na ciência e na organização de políticas públicas, conceito em que Bolsonaro procura desconstruir. Na medida em que Mandetta consegue apoios no ministério estabelece-se uma tensão não apenas entre ele e o presidente, mas entre ele e o bolsonarismo enquanto concepção de (des) governo.

Outro ponto considerado desestabilizador de tensão entre Bolsonaro e a política se estabelece na sua base nas redes sociais. Bolsonaro tem uma ampla base nas redes que é (ou foi) constituída por três grupos principais: um grupo que remete diretamente ao presidente e aos seus filhos e que é mobilizado em uma tática de ratificação acrítica das posições do presidente, isto é, sempre que o presidente se encontra em apuros ou polemizando com a imprensa, ele deslancha uma campanha de defesa das suas visões ou de agressão a pessoas específicas por esse meio que acabou apelidado de “gabinete do ódio”.

Por fim o educador diz que outro elemento que merece destaque é a inserção do bolsonarismo em uma vasta rede de sites e perfis de direita um pouco mais moderada que incluía, no passado, movimentos como o MBL, e o Vem para a Rua, sites como O Antagonista que amplificavam a defesa das posições do presidente para além das redes bolsonaristas estrito senso.

Sérgio Jones, jornalista (sergiojones@live.com)

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