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O domínio de Keity e sua saúde…/por Carlos Lima

Krity minha rainha já estava doente

 

Para começo de conversa o domínio de Keity é a minha casa, o meu sofá, a minha cadeira na mesa, a minha cama, enfim, ela reina soberana, sou culpado, ou melhor, todos em casa são culpados.

Vou descrever essa rainha. Não passa de 50 centímetros de comprimento por uns 35 de altura, pelos pretos e brilhosos, representa com galhardia a sua raça, Cockers Spaneil Inglês.

Não aceita desafios, nem desaforos. É bastante social, desde que não interfiram nos seus domínios, (a minha casa). Detesta o carteiro e o segurança, principalmente â noite quando está deitada no sofá assistindo televisão e ele assopra aquele apito estridente bem diante de nossa porta.

Keity levanta-se ensandecida e parte em velocidade como se estivesse desafiando o segurança para um duelo de morte.

Quando a ameaça desaparece do seu visual ela retorna tranquilamente para o sofá. Onde quase sempre acontece uma reclamação. Na sua ausência nos sentamos em seu privilegiado lugar.

Ela senta-se em nossa frente e rosna, quando não damos atenção, rosna novamente, mostra a dentição e pula para o sofá, quem quiser que saia da frente, ela vai forçando a abertura de espaço até conseguir.

Quando consegue se deitar novamente, se espalha, empurra quem estiver lhe apertando, como quem diz, “esse espaço é meu”.

Quando vamos nos recolher ela parece adivinhar, deixa o sofá, é a primeira a entrar no quarto. Deita-se no meio da cama. Primeiro faz aquela tradicional raspagem com as patas dianteiras como ser estivesse espalhando o forro da cama a ao mesmo tempo aquecendo, em seguida deita-se e fica nos aguardando.

Não podemos fazer qualquer gesto ou tentar retirá-la do ambiente, é uma ação de alto risco. Ela provoca tanto barulho que somos obrigados a deixa-la onde estiver.

A única alternativa – ainda bem que existe – é ela se convencer de que realmente iremos dormir. Após está convencida, ela nos deixa e vai para o seu quarto, ah! O quarto de Keity é vizinho ao nosso, (em casa somos eu a esposa e Keity) tem som, televisão de 20 polegadas, ventilador, cama de solteiro, travesseiro baixinho, exigência dela.

Mesmo assim quando vai para o seu quarto alguém tem que ligar o ventilador, a velocidade é a mais fraca, não tente enganá-la, ela conhece todas as velocidades. Quando está mais forte ela fica rosnando e dá latidos com intervalos regulares, até que um de nós se levante e coloque na velocidade certa.

Uma tarde de domingo por volta das 4:30hs estava assistindo um jogo na TV, Keity saiu do sofá e foi para o seu quarto – acho que não estava gostando do jogo – de repente ela retorna, senta-se na minha frente e fica emitindo uns sons, como se quisesse conversar ou dizer alguma coisa. Não de muita importância, depois saiu entrou no seu quarto e voltou, continuou da mesma forma.

Contrariado levantei do sofá e disse: “Ora Keity, será que não posso nem assistir o meu jogo?” Pareceu entender e rosnou forte.

Fui ao quarto dela, quando entrei Keity subiu na cama e começou  morder o lençol.

 Não é que a cama estava desforrada e o lençol quase todo embolado. Quando puxei o lençol ela desceu sentou-se no chão como se estivesse esperando eu fazer alguma coisa.

Forrei a cama, estirei o lençol, coloquei o travesseiro e esperei a reação. Incrível, subiu na cama foi até o meio, raspou um pouco e se deitou.

Voltei para ver o final do jogo, não fui mais incomodado até às 20:20hs, quando ela acordou ou resolveu sair do quarto. Era hora da janta.

Certa vez a diarista ficou parte da manhã sentada em uma cadeira na cozinha, toda vez que tentava levantar Keity lhe ameaçava mostrando os dentes e rosnando forte, dentes branquinhos e afiados. Tive que deixar o trabalho para resolver a situação.

Sanado o problema, surgiu outro. A diarista disse que não voltava mais, a Keity com certeza ia terminar lhe mordendo.

Passado alguns dias a nossa rainha estava triste, fiquei preocupado, ela nunca tinha apresentado esses sintomas, estava sem forças nas pernas. No início da noite não conseguiu subir no sofá…

Entrei em desespero, não sabia o que estava acontecendo, telefonamos de imediato para o veterinário, fizemos tudo que foi orientado e pela manhã a levaríamos na clínica. Mas Keity continuava triste, tinha um olhar de quem pedia socorro, telefonamos mais algumas vezes para o veterinário, passei a noite sem dormir.

O veterinário foi paciente, um amigo, com certeza não deve ter conseguido dormir bem com tantos telefonemas.

As vezes penso que ele se arrependeu de ter fornecido os números dos seus telefones.

Assim que amanheceu fomos para a clínica veterinária, foi realizado diversos exames e uma consulta minuciosa. Lá pelas 14 horas o resultado indicava, inicialmente, a doença do carrapato.

Ficamos desesperados. Como Keity poderia ter contraído essa doença se não tem pulgas, carrapatos ou qualquer outro tipo de doença, de três em três meses ela passa pelo veterinário, mesmo por que nosso contato com ela é permanente, sendo necessário essa revisão constante.

O veterinário perguntou se na rua existe outros cães. Existem sim. Mas Keity não tem nenhum contato. Ela ainda não cruzou, é virgem.

As explicações foram muitas, mas, nessa situação nenhuma convence. Já estava com o coração apertado.

Voltamos para casa com uma bateria de medicamentos, no dia seguinte Keity vomitava tudo que comia. As melhoras eram poucas, não se sentia bem, depois de 30 dias aconteceu o que não esperávamos.

Keity teve a primeira convulsão, foi às 3 horas da madrugada, inicialmente ouvimos um rosnado diferente, corri para quarto, ela estava estirada ao lado da cama com os olhos arregalados se debatendo. Uma cena triste, imaginem nossa reação, desespero total, mais um resto de noite sem dormir, o veterinário também, o telefone era o nosso contato por minuto.

Keity teve três crises até às 8 horas. Voltamos ao veterinário, outra bateria de exames. Foi medicada, está tomando meio comprimido de gardenal de 100. Não deu mais crises, mas continua com fraqueza nas pernas traseiras. Não tem força para subir no sofá. Nóis colocamos.

A situação continua tensa em casa, a nossa “rainha” não é mais a mesma. Sua doença tirou nossa alegria… A preparação para o que pode acontecer está sendo muito difícil e a família não aceita…

As lágrimas, dor de tristeza estão mais presentes em nossas vidas desde que a nossa “rainha” perdeu parte de sua vivacidade e alegria, o que nos conforta é o grande amor e carinho que ela continua e faz questão de nos dedicar…

Keity, nós te amaremos sempre.

Carlos Lima.

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