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O QUERER SEM RESPALDO

Era assim

Durante toda nossa vida passamos por rituais consistindo em relacionamentos com personalidades diferentes.

Contudo, ao procurarmos entender o real sentido dos ritos verificamos que se referem à sobrevivência por se tratar de continuidade social e relações que nos ajudam a trafegar momentos específicos das nossas vidas.

Daí vem religião, da qual, inicia pela criação ritualisticamente de um deus à nossa semelhança para que este fique impregnado nas nossas mentes através de orações que são verdadeiras imposições à entidade, tornando-o nosso mordomo porque são deuses com as mesmas nossas necessidades, enquanto, o casamento, segue a ritualística de: ficar, namorar, noivar ou estabilizar no ficar”. É quando Eros age: sentidos à flor da pele e mãos serelepes.

Mas a vida, por ter que continuar, é mister iniciar pelo ritual da procriação em que contrários são submetidos à lei da atração. Quereres em profusão e Venus instigando o expandir do ventre, fake news do livre arbítrio, dado que o rebento é conseqüência. Mas eis que entra em campo a citocina e aquele senhor, ver-se entoando “Força Estranha” de Caetano Veloso.

São os rituais da criação, sociedade se agregando ao viver a três, ou múltiplos, desejando que o amor dê rumos no que hão de trilhar nessa vida desafiadora a revelia do querer. Primam pela fidelidade que é uma das características mais admiráveis do ser humano embora, do mesmo modo, seja uma violência contra o natural, tendo em vista as multiplas armadilhas: os pensamentos que invadem quem está quieto; o inesperado que passa e desperta naquele ou naquela, emoções que fazem corar ou a amiga de anos que ingenuamente resolve cruzar as pernas, despertando o que estava acomodado.

Mas é que temos a necessidade de estarmos em permanentes emoções para que a existência tenha seus momentos especiais, restando-nos tão somente o adultério virtual porque há que buscarmos maneiras mais leves e conscientes de viver, controlando os ânimos para manter a sensação de felicidade, enquanto a chuva, o sêmen de Deus, ao cair na terra, faz tudo nascer.

Quando convém acenar para o divino, reduzir ansiedade em atos que não passam de protocolo de comportamento, autodisciplina, pontes para o sagrado. E assim, reforçando os rituais para perdurar os relacionamentos mesmo que nada seja garantido porque o mundo é composto de renovação. No entanto, a convivência entre pessoas sem rituais é um encontro sem identidade, sem compromisso que impede a continuidade, considerando-se ainda que, quem dessa vida tem o melhor, obriga-se a compreender quem, por desídia daquela, não teve as mesmas oportunidades.

Feira de Santana, X de Dezembro de MMXXIII.

Jessé da Costa Primo∴membro da Loja Maçônica Luz e Fraternidade 14.

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