Saiba até que ponto a genética influencia nas doenças mentais

Loucura

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 1 bilhão de pessoas tem algum transtorno mental.

Mas muita gente se pergunta de onde surgem esses problemas. Será que as doenças mentais são fruto de herança genética ou aparecem conforme nossas condições de vida?

As causas dos transtornos psiquiátricos são muito complexas e têm influência genética associada a fatores ambientais, segundo a professora Sintia Iole Belangero, do Departamento de Morfologia e Genética da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Ela também é coordenadora da divisão de genética do laboratório de neurociências integrativas e do biorrepositório da Corte Brasileira de Alto Risco do Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento.

“Há fatores ambientais que conferem risco ao desenvolvimento das doenças, tais como traumas, eventos estressores e experiências adversas da vida, como abuso de drogas”, explica.

“Já outros fatores ambientais protegem os indivíduos contra essas afecções, como suporte social, suporte emocional dos pais, união da comunidade local em que vivemos e alto QI.”

Segundo a professora, recentes pesquisas buscam compreender melhor essa relação entre ambiente e genoma, assim como o impacto dessa interação sobre as doenças mentais.

O diagnóstico dessas doenças por parte de psiquiatras, muitas vezes, é um desafio.

Daí a importância de entender suas relações com a genética –o que poderia dar pistas e facilitar o trabalho dos médicos.

Além disso, os estudos podem abrir caminho para o desenvolvimento de remédios e para prever riscos associados a esses problemas.

A professora conta que uma das maiores pesquisas sobre o tema se debruçou sobre análises genéticas que revelaram uma ligação entre oito distúrbios, identificando três grupos e um grande compartilhamento genético entre eles.

Além disso, um estudo do qual ela participa, fruto de uma parceria entre universidades brasileiras, avalia o tema há mais de 10 anos entre crianças e jovens de Porto Alegre e de São Paulo.

Os pesquisadores observaram que mudanças no DNA aconteceram paralelamente ao aparecimento de sintomas psiquiátricos nesses jovens. Também perceberam que maus-tratos sofridos na infância influenciaram no comprimento dos telômeros –estrutura dos cromossomos que funcionam como o relógio biológico das células.

Também houve uma relação, nesse grupo, entre alguns genes, maus-tratos e depressão.

Suicídio
Participante do estudo, a Unifesp também vem se dedicando à prevenção do suicídio, outro grave problema de saúde pública no Brasil.

Conforme a universidade, as taxas têm aumentado nos últimos 40 anos e essa alta sistemática é desproporcionalmente maior entre adolescentes.

“Cada morte por suicídio é uma morte que poderia ser evitada”, diz Elson Asevedo, pesquisador do Departamento de Psiquiatria da instituição.

“A ciência já conhece estratégias capazes de prevenir essas mortes: falta implementar.”

Azevedo é um dos coordenadores de um projeto que visa abordar o tema –que se acentuou na pandemia, devido ao isolamento social– entre os jovens brasileiros.

Para ele, os sinais de depressão podem ser percebidos em conversas na internet. “Conversas essas que estão cada vez mais objetivas, frias e sem espaço para sutilezas emocionais”, opina o especialista.

Assim, a Unifesp disponibiliza o Caism (Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental) e inaugurou, em setembro do ano passado, o Conversas de Vida – Centro de Promoção de Esperança e Prevenção de Suicídio.

O objetivo é apoiar quem precisa e ajudar a prevenir suicídios. A campanha visa também capacitar profissionais, conduzir pesquisas, orientar escolas e empresas e atuar na criação de políticas públicas. Saiba mais aqui.

Luzia Marcelo com informações da Unifesp

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