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Sete de cada dez novos seguidores de bolsonaristas são robôs, mostra levantamento

Agora falsário. Robôs e bots

Desde a última segunda-feira (25), perfis de aliados e familiares do presidente Jair Bolsonaro (PL) têm visto suas contas no Twitter inchar, subitamente, com dezenas de milhares de novos seguidores.

O crescimento coincide com o anúncio da compra da rede social pelo bilionário Elon Musk.

A pedido do Congresso em Foco, a plataforma Bot Sentinel analisou com exclusividade cinco contas de aliados do presidente Bolsonaro para checar quantos desses perfis são de pessoas reais e concluiu que 67,4% do total são de contas consideradas não autênticas, ou robôs.

“Esse foi um movimento muito incomum. Todas essas contas foram criadas a partir do dia 25 e não apresentam nenhuma atividade”, explica Christopher Bouzy, criador do Bot Sentinel.

A plataforma dedica-se ao combate da desinformação nas redes analisando e identificando perfis considerados robôs ou bots, que são uma aplicação de software concebido para simular ações humanas repetidas vezes de maneira padrão.

No caso do Twitter, os robôs simulam interações como responder ou replicar postagens, além de seguir outros perfis com o objetivo de aumentar o engajamento e a relevância na rede do passarinho.

De segunda até a tarde da quinta-feira (28), a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP) arrebanhou 101.867 novos seguidores. Porém, 54.483 desses perfis são de contas consideradas não autênticas, 53,48% do total, segundo o Bot Sentinel.

A plataforma disponibilizou a lista dos novos perfis, seus IDs e quantidade de tuítes publicados para comprovar a data da criação e a inatividade dos novos seguidores.

Outro agraciado com a multiplicação de seguidores é o filho 01 do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que ganhou 75.702 novos seguidores e foi às redes propagandear que havia arrebatado mais da metade de novos fãs do que normalmente conquistaria em um mês.

Ocorre que, de acordo com o Bot Sentinel, 61,9% desse total, o que corresponde a 46.868 seguidores, foram criados desde a segunda-feira e têm características de perfis não autênticos. Ou seja, bots.

Apostas de Bolsonaro nas eleições de 2022, os ex-ministros Damares Alves e Tarcísio de Freitas também viram suas contas no Twitter receber uma enxurrada de novos seguidores.

Damares, pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal, acumulou, até o momento, 60.217 novos followers, sendo que 39.863 deles são de contas não autênticas. Já Tarcísio, que deve disputar o governo de São Paulo, emplacou 83.244 seguidores desde o dia 25. Do total, 64.765 também de contas com autenticidade questionada.

Até mesmo o ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Augusto Heleno, faturou algumas dezenas de milhares de seguidores na sua conta do Twitter nos últimos quatro dias: foram mais 53.789. Porém, após análise do Bot Sentinel, verificou-se que 78,1% desse total são de perfis correspondentes a robôs.

Na última segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro ganhou 65 mil novos seguidores. Desses perfis, 61,299 foram criados no mesmo dia, de acordo com denúncia de Christopher Bouzy, fundador do Bot Sentinel. A lista com os perfis criados pode ser vista aqui.

“Me perguntam se essas novas contas que passaram a seguir Bolsonaro são orgânicas e a resposta curta é não. Eu não acredito que dezenas de milhares de brasileiros decidiram criar novas contas ao mesmo tempo para segui-lo porque Elon Musk comprou o Twitter”, explicou Bouzy.

Em nota enviada ao Congresso em Foco, o Twitter afirma não ter identificado nada de anormal na plataforma.

“Temos analisado as recentes variações na contagem de seguidores de perfis no Twitter globalmente. Ao que tudo indica, essas oscilações parecem ter sido, em grande parte, resultado de um aumento na criação de novas contas e desativação de outras, organicamente.

Seguiremos analisando essas alterações e, como parte de nossos esforços contínuos, tomando medidas contra contas que violem nossa política de spam.

Manteremos as pessoas informadas a respeito do assunto conforme seguimos observando as movimentações”, informou a assessoria de imprensa da rede social.

Para o doutor em Ciência Política e especialista em desinformação e comportamento político Carlos Oliveira, o uso de robôs visa manter e aumentar o engajamento e a relevância do discurso bolsonarista nas redes.

“Os bots não vão votar, mas eles vão manter o engajamento e talvez pessoas que se desanimem com pesquisas eleitorais quando veem que o Bolsonaro está atrás possam, a partir desse engajamento, se lembrar e ter um ânimo a mais. O engajamento é bom para manter o que já tem.

Não implica voto. Implica muito mais euforia em torno de um nome. Estudos mostram que não há um impacto direto das mídias sociais e das mensagens que circulam nelas sobre decisão de voto, por exemplo.

O que existe é o aumento no engajamento, a condução da agenda dos debates. E, através dos bots, eles conseguem engajamento”.

Vanessa Lippelt

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