Temperatura nas alturas “castiga” os brasileiros em plena primavera; entenda

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TEMPERATURA OBRIGA O AUMENTO DO CONSUMO DE ÁGUA

O verão só chega, oficialmente, no fim de dezembro, mas parece que a natureza decidiu antecipar seus efeitos.

Com termômetros passando dos 40°C desde a semana passada, a primavera se tornou apenas uma coadjuvante no dia a dia dos brasileiros .

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), os termômetros marcam altas temperaturas na maior parte do país, mas estabeleceram novos recordes históricos em São Paulo e no Mato Grosso do Sul na última quarta-feira (30).

Enquanto Campo Grande marcou incríveis 40,8ºC ,  a capital paulista registrou 37,1ºC – segunda maior temperatura dos últimos 78 anos .

De norte a sul, o calor não tem dado refresco.

Em Belo Horizonte, por exemplo, a população relata sofrimentos, como é o caso da analista de estoque Renata Bastos que começou há duas semanas.

“Meu apetite diminui, minha pressão cai e até meu estômago fica ruim. O meu esposo também sofre.

Mas a minha preocupação maior é com minha filha Alice, de apenas um ano e oito meses. “Se para nós, adultos, já é desconfortável, imagina para uma criança pequena? Ela fica irritada, não dorme e nem come direito.”

A saída, conta Renata, é apelar para o combo: ventilador, água gelada, comidas leves, pouca roupa e banho de mangueira. “É assim o dia inteiro, porque não tem como ser de outro jeito. Para minimizar, a Alice toma banho de mangueira ou direto no tanque”, diz.

A situação pode piorar. Pessoas que sofrem com problemas respiratórios são mais suscetíveis aos efeitos do calor.

As altas temperaturas também castigam a maior cidade do país e até quem curte dias mais quentes.

Afinal, esse calorão é normal?

De acordo com Debora Rodrigues, geógrafa especialista em climatologia e professora da Universidade Estácio, é normal, mas não é comum.

“A primavera é uma estação que oferece uma boa quantidade chuva, o que acaba por ‘refrescar’ a superfície. Mas, esse ano, a temperatura na superfície do mar está mais alta que o normal, resultando no desvio das frentes frias, que têm se deslocado para o alto mar”, diz.

Segundo Debora, o país está sob efeito de um bloqueio atmosférico, que atua como uma barreira, impedindo a chegada de sistemas que carregam chuvas , como as frentes frias.

“Os ventos fortes, nas camadas mais altas da atmosfera (acima de 10 mil metros), estão impedindo a chegada da umidade.”

Outra reclamação muito comum nos últimos dias é a chamada sensação térmica ou temperatura aparente, quando a temperatura parece diferente do que, de fato, é.

“Isso acontece porque componentes atmosféricos, como ventos e umidade relativa do ar, alteram a transferência de energia entre o corpo e o meio ambiente. Com a baixa umidade e a falta de eventos, estamos tendo uma sensação de que a temperatura é mais alta do que está efetivamente”, explica a especialista.

Mas o grande questionamento, sem dúvida, é: quando esse calor todo vai acabar?

A boa notícia: apenas mais alguns dias. “Uma frente fria está prevista para vencer esses obstáculos atmosféricos nesse final de semana”, afirma Débora.

Enquanto não acontece, manter os cuidados necessários é de vital importância.

Thuany Motta

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