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Coronavírus caminha para “aceleração descontrolada” em regiões do País

Boletim diz que São Paulo, Ceará, Rio de Janeiro, Amazonas e Distrito Federal podem estar a caminho de fase mais agressiva de contaminação

Um boletim epidemiológico do Ministério da Saúde aponta que os técnicos estão preocupados com o crescimento da epidemia nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Amazonas e no Distrito Federal. De acordo com as curvas de contaminação, a maior preocupação no País, até o momento, se concentra nessas localidades em destaque.

“Considerando o Coeficiente de Incidência nacional de 4,3 casos por 100.000 habitantes, é preocupante a situação do Distrito Federal (13,2/100 mil) e dos Estados de São Paulo (9,7/100 mil), Ceará (6,8/100 mil), Rio de Janeiro e Amazonas (6,2/100 mil) que apresentam os maiores coeficientes.”, diz o relatório.

Na lista, estão os estados com mais casos e mortes confirmadas – o Brasil tem com uma preocupação adicional no caso do Amazonas, segundo o que foi dito pelo ministro Luiz Henrique Mandetta em coletiva de imprensa nas sexta-feira 03: o perigo para a contaminação de comunidades indígenas.

Segundo a metodologia adotada pelo Ministério da Saúde para medir os impactos do crescimento de infecções, há quatro fases epidêmicas para mapear o vírus: a transmissão localizada, a aceleração descontrolada, a desaceleração e, enfim, o controle.

No momento, com exceção dos estados citados, o país se encontra na fase de transmissão localizada (comunitária), quando não é possível descobrir a fonte original do contágio de uma pessoa. Mesmo nessa fase, porém, o sistema de saúde se encontra sob perigo.

A infecção de profissionais da saúde é uma grande preocupação do Ministério, que elenca a equipe médica como um dos eixos centrais da cadeia de resposta á pandemia, juntamente com equipamentos de proteção individual – como máscaras e luvas -, e estrutura para pacientes nos hospitais, como leitos, respirados e testes laboratoriais.

Além disso, o boletim dá conta que “a capacidade laboratorial do Brasil ainda é insuficiente para dar resposta a essa fase da epidemia”, destacando o alto número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) até o momento no país: foram 25.675 hospitalizações até o momento, sendo que apenas 7%, ou 1769 pacientes, foram confirmados com o coronavírus.

Para dar conta de mapear de forma mais precisa a epidemia, o Ministério destaca a necessidade de mais testes e mais equipamentos e médicos.

“Há carência de profissionais de saúde capacitados para manejo de equipamentos de ventilação mecânica, fisioterapia respiratória e cuidados avançados de enfermagem direcionados para o manejo clínico de pacientes graves de COVID-19 e profissionais treinados na atenção primária para o manejo clínico de casos leves de Síndrome Gripal.”, diz o texto.

“Os leitos de UTI e de internação não estão devidamente estruturados e nem em número suficiente para a fase mais aguda da epidemia.”

Para o momento mais crítico da epidemia no País, que deve chegar em abril, conforme as projeções do Ministério da Saúde, será necessária uma ampliação para realização de 30 a 50 mil testes de RT-PCR por dia, diz a pasta.

Esses testes não são os modelos rápidos recebidos recentemente pelo Ministério, que foram direcionados principalmente para profissionais de saúde e de segurança pública que possam ter entrado em contato com o vírus nas últimas semanas.

Com resultado em até 20 minutos, eles detectam a presença de anticorpos, que são defesas produzidas pelo corpo humano contra o vírus SARS-CoV-2, que causa a Covid-19.

Já no caso dos RT-PCR, o Ministério anunciou que irá adquirir 14,9 milhões de unidades para os próximos três meses.

Eles são testes de biologia molecular que identificam a presença do coronavírus no corpo humano logo no início da doença, e tem sido usado para diagnosticar casos graves internados com a Covid-19.

Em um primeiro momento, o foco das orientações passadas para estados e municípios é de interromper a transmissão de humano para humano, “incluindo a redução de infecções secundárias entre contatos próximos profissionais de saúde”, com a realização de mais testes conforme o possível.

Levando em conta esse ponto, o Ministério enfatiza a necessidade de isolamento social para que não se tenha um colapso do sistema de saúde, que já está em uma situação preocupante, e cita modelos como os de Nova York, nos EUA, e da Itália e Espanha, como exemplos a serem seguidos.

“Ao tempo, essas medidas temporárias, permitem aos gestores tempo relativo para estruturação dos serviços de atenção à saúde da população, com  consequente proteção do Sistema Único de Saúde.”

Em relação a medicamentos “promissores”, como a cloroquina – apontada pelo presidente Jair Bolsonaro como uma possível ‘cura’ para a doença -, o boletim pede cautela com o uso generalizado do remédio.

“Ainda não há evidência robusta de que essa metodologia possa ser ampliada para população em geral, sem uma análise de risco individual e coletivo.

Nunca foi utilizada dessa maneira em larga escala.

Precisa-se de mais duas a três semanas para que os resultados sejam efetivamente robustos e apoiem a adoção dessa medida.”, diz o Ministério.

GIOVANNA GALVANI

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