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G20, Conferência sobre o Clima e o obsoleto capitalismo

A ausência física dos presidentes chinês e russo na reunião do G20 não deixa de ser desde logo um importante sinal dos tempos que vivemos.

Justificada com preocupações sanitárias, é naturalmente inseparável da estratégia das principais potências imperialistas – com os EUA à cabeça – de crescente confrontação com estes dois países.

Mas este posicionamento dos EUA e da União Europeia não significa uma postura de força por parte do eixo imperialista transatlântico.

O Mundo está a ser percorrido por graves problemas que se vêm juntar às já graves consequências da pandemia da COVID-19.

Instabilidade e episódios de ruptura nas cadeias de abastecimento, subida generalizada da inflação, instabilidade nos mercados financeiro e imobiliário e crise energética são alguns dos problemas que estão longe de ser transitórios.

Aquilo que tais tendências demonstram é instabilidade e fragilidade no funcionamento da economia capitalista e incapacidade de lidar com problemas sérios como as questões ambientais.

Os sinais que se vinham manifestando antes da eclosão da pandemia estão aí, todos, e a aprofundar-se em função de problemas estruturais que afetam as principais economias capitalistas do Mundo e do brutal aumento das desigualdades entre países e entre classes, bem patente nos escandalosos dados de aumento da riqueza dos milionários nos EUA e na Alemanha, para dar apenas dois exemplos.

E é aí que reside um dos grandes elefantes na sala destas duas reuniões.

Todas as estratégias definidas (quer nos EUA quer na União Europeia) para ultrapassar dificuldades parecem não ter surtido resultados e os problemas globais, como a chamada crise energética e a instabilidade nas cadeias de abastecimento, impactam nestas duas realidades econômicas de forma violenta.

Nos EUA, passada a propaganda inicial do mandato de Biden, a realidade econômica vai ficando clara, com uma grande instabilidade no mercado laboral, com a inflação a atingir o valor mais alto dos últimos 13 anos, com o Estado norte-americano a atingir níveis recordes de endividamento e com o espectro do fim dos “estímulos” da FED (o célebre quantitative easing) e da subida das taxas de juro.

O cenário de estagnação econômica com alta inflação é apontado por alguns economistas.

Já a União Europeia permanece mergulhada num mar de contradições a que se vieram somar as resultantes da crise energética e de aumento dos preços.

Como a ausência de reais conclusões no último Conselho Europeu demonstram, as divisões no bloco imperialista são mais que muitas e não há discursos em torno da “transição energética justa” que lhe valham.

São tantas que obrigaram Merkel a ter de intervir para não se chegar a “vias de facto” na questão da Polônia – utilizada não para defender direitos e democracia mas para os atacar e ensaiar renovadas formas de ataque à soberania dos Estados.

O Mundo está a mudar, e é uma evidência que as velhas potências imperialistas estão numa tendência de declínio, que é no fundo o espelho da decadência do obsoleto sistema capitalista.

Cljornal com informações de visão econômica/Ângelo Alves

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