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Juros em alta vão nos empurrar para baixo

Juros altos noas empurra para baixo

Fosse apenas para segurar a inflação, os juros oficiais não teriam razão para a alta de 1,5% (a 10,75% ao ano) decretada pelo Banco Central.

Afinal, embora os preços sigam altos e proibitivos para a maioria da população, o ritmo de alta atenuou-se no início do ano e, persistindo a baixa da febre do dólar – 6% de queda desde o início do ano – tudo levaria a crer numa desaceleração inflacionária que, diante do quadro de estagnação da economia, desaconselharia uma tamanha pancada na taxa Selic.

Mas não é bem assim e as razões do aumento são outras. E várias.

A necessidade de atrair capital estrangeiro (contendo a cotação do dólar), ao oferecer uma remuneração impensável nos grandes mercados (5 a 6% em valores expurgados da inflação), muito acima das taxas internacionais, ainda que em alta; e um deliberado “esfriamento” da economia para segurar os  efeito do descontrole fiscal provocado pelo “te dou um dinheiro aí” a que Bolsonaro vai se entregar de agora até as eleições.

Além do mais, o Banco Central não acredita – e tem boas razões para isso – num “bom comportamento” da inflação no período eleitoral.

Embora a história de dois mandatos de Lula e os seus movimentos na disputa de 2022 não deveriam – e não despertam – nenhum pavor no “mercado”, mas daí a não se alimentarem crises a distância é muito grande.

Ainda mais que o controle dos cofres públicos foi entregue ao Centrão, muito mais perigoso que qualquer “efeito Lula” que se possa imaginar.

Como o país não tem política econômica, sobra ao BC apenas a taxa de juros para operar o ritmo da economia e ao país a incerteza de quase sempre.

Até a onde a vista alcança, não temos uma conjuntura de aceleração do ritmo da economia mundial que possa nos auxiliar: ascensão das mortes pela Ômicron e a crise na Ucrânia mantendo a pressão sobre os preços da energia já provocam uma redução das previsões de crescimento econômico.

Por aqui, expectativas de crescimento econômico, quando existem, são de níveis pífios.

Na quarta-feira, a Fundação publicou a sua síntese das sondagem sobre a expetativa de todos os setores econômicos em janeiro e a confiança de empresas e de consumidores caiu e estão agora abaixo de fevereiro de 2020, mês anterior à pandemia de Covid-19.

Juros mais altos -e já com previsão de mais alta em março – vão empurrar estes números para baixo.

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