O cientista político André Singer diz que Dilma ainda não cede aos dogmas do mercado financeiro

A presidente Dilma Rousseff irá beijar a cruz? É esta a questão levantada por André Singer, em seu artigo “A romaria de Davos”.

 
“A ida de Dilma Rousseff ao Fórum Econômico Mundial faz parte de um árduo roteiro, uma espécie de caminho de Compostela, que a mandatária se vê condenada a cumprir para obter a absolvição dos endinheirados.

Há um ano o governo busca, sem sucesso, mostrar ao mercado financeiro que desistiu da “aventura” desenvolvimentista e deseja restabelecer o “status quo ante”.

Agora, ao subir pessoalmente a íngreme montanha de Davos, Dilma paga mais um pedaço da longa penitência.

Na meia hora que lhe deram para se confessar, ela depositou no altar das finanças as oferendas de praxe.

Garantiu que busca o Graal do centro da meta inflacionária, deixou entrever um superavit alto a ser anunciado em breve e chamou a flutuação cambial de, nada menos, que a nossa primeira linha de defesa, disse ele.

Singer afirmou que a presidente tem certo pé atrás em abraçar a chamada ortodoxia econômica.

“Dilma tem se recusado a beijar a cruz, tentando, por meio de concessões reais e simbologia homeopática convencer os antigos desafetos de que é confiável sem pagar o preço de abjurar os compromissos de antanho.

Mas as promessas de contenção fiscal feitas na romaria de Davos, que se torna o ponto sensível quando os juros sobem, pois o dinheiro precisa sair de algum lugar, serão logo cobrados.

Já em fevereiro, o mercado vai exigir um superavit primário robusto e um contingenciamento idem para garanti-lo. É só esperar.”   

Fonte: André Singer/Redação

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