O impacto do rebaixamento para o Brasil

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Rebaixamento do Brasil: como isso afeta seu negócio

O economista Armando Castelar, coordenador de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), avalia que a decisão da Fitch de rebaixar a nota de crédito do Brasil não deve trazer impactos no curto prazo.

Para ele, porém, o País enfrenta situação fiscal complicada: sem a reforma da Previdência, deve ter dificuldade em cumprir a regra do teto de gastos – que limita o aumento dos desembolsos à inflação do ano anterior. “O governo vai ter problema para acomodar outras despesas do Orçamento”, afirma.

A Fitch tinha perspectiva negativa e havia avisado que a reforma da Previdência era uma das condições para não rebaixar a nota do Brasil. Os argumentos da agência e a decisão foram consistentes. Este governo não vai fazer a reforma da Previdência.

Se havia dúvidas, agora não há mais. E tudo isso atrapalha porque a Previdência é o maior gasto do governo federal e cresce num ritmo muito forte.

No curto prazo o impacto é pequeno porque o custo de financiamento externo das empresas não se altera muito. Obviamente as empresas têm mais dificuldade, mas o mercado está com muita demanda por ativos de emergentes. Agora, o que está por trás em si da decisão é preocupante.

Pela Emenda Constitucional 95 (que limitou os gastos), o governo vai ter problema para acomodar outras despesas do Orçamento. Já está discutindo também a questão da regra de ouro (que impede a emissão de dívida para o pagamento de despesas correntes, como salários).

A situação fiscal é complicadíssima e não fazer a reforma da Previdência, além da pressão sobre o total de gastos, vai criar um problema na composição (dos gastos).

A decisão não foi por causa da situação política, porque ela não mudou muito. Mas, sem dúvida, continua incerta. A tendência é um candidato de centro ou centro-direita vencer a eleição, a despeito da popularidade dos candidatos na extrema-esquerda e extrema-direita.

Mas, se tivesse um candidato a esta altura já despontando, um candidato comprometido com a reforma da Previdência, talvez esse downgrade não tivesse ocorrido.

Acho que não deve haver mais nenhum movimento neste ano. Primeiro, porque a Fitch colocou o País com rating estável. Normalmente, primeiro teria de mudar a perspectiva (para negativa) e depois alterar a nota. Segundo, porque não espero nenhum fato novo.

A grande expectativa é de qual vai ser o próximo governo, e estamos a sete meses para ter uma ideia melhor sobre isso. É um intervalo curto. Não acho que vai ter nenhum fato para uma mudança.

Acho que não vai ter pressão do mercado para que em janeiro o novo governo já tenha proposta para a Previdência. Agora, de novo, tem a questão do teto, que fica complicada sem a reforma. E o primeiro ano de mandato é a janela de oportunidade do novo governo.

No ano seguinte vai ter a eleição municipal. Começa todo o ciclo eleitoral de novo. Como a Previdência é a maior despesa do governo, faz sentido que seja prioridade, se o governo quer ter perspectiva mais longa de que a economia vai continuar crescendo.

Jornal do Brasil

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