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Taxa do Pix para empresas não chegará às pessoas físicas e segurança é preocupação

Cuidado com o Pix

Algumas instituições financeiras criaram taxas para transações empresariais utilizando o Pix. As novas tarifas levantam dúvidas sobre o futuro da popular ferramenta, que convive também com ameaças de golpes e fraudes.

Diversos bancos adotaram taxas que chegam a até R$ 140,00 por transação via Pix para pessoas jurídicas e surgiram temores de que a cobrança se estenda às pessoas físicas.

Para o economista Fábio Pesavento, professor da ESPM de Porto Alegre, a cobrança para empresas não é surpresa e já era prevista pelo Banco Central. Já a cobrança de pessoas físicas não deve acontecer.

Pesavento salienta que apesar da concentração em poucas instituições financeiras no Brasil, a adoção das taxas pode beneficiar os chamados bancos digitais, que já anunciaram que não devem adotar cobranças sobre pessoas jurídicas.

Já uma eventual cobrança de taxas de pessoas físicas não deve ocorrer, segundo o professor, pois isso iria na contramão do que levou a ferramenta ao sucesso.

Pesavento ressalta que um dos objetivos do Pix é justamente facilitar as transações financeiras entre a população mais pobre.

Criado em novembro de 2020, o Pix se popularizou rapidamente no Brasil e acumula cerca de 120 milhões de usuários e quase 400 milhões de chaves cadastradas.

Em seu dia de maior movimentação, em 4 de fevereiro deste ano, foram mais de 54 milhões de transações. Os dados são do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) do Banco Central (BC).

O economista Fábio Pesavento, professor da ESPM de Porto Alegre, ressalta que características do Pix como a gratuidade e o funcionamento permanente são responsáveis pelo sucesso da modalidade.

O especialista ressalta também desvantagens do Pix, como a impossibilidade de parcelamentos e a vulnerabilidade de dados.

Taxas reforçam responsabilidade de instituições na prevenção de golpes

Apesar da facilidade trazida pelo Pix, a ferramenta também carrega consigo uma fragilidade de transações realizadas por meios eletrônicos: a possibilidade de golpes. É o que explica Jorge Krening, diretor regional do escritório de contabilidade Russell Bedford Brasil.

Na semana passada, o Banco Central divulgou que houve mais um vazamento de informações do banco de dados do Pix, o que a instituição acredita que continuará acontecendo.

Anteriormente, o Banco Central também instituiu limites noturnos em transações com a ferramenta para diminuir riscos de golpes e tem aumentado a cobrança sobre as instituições financeiras para que ampliem as medidas de segurança.

Diante dessa situação, Krening acredita que as instituições financeiras também devem agir revertendo as taxas cobradas de pessoas jurídicas em investimentos para combater fraudes.

Para ele, a cobrança de taxas aumenta a responsabilidade das instituições para com a garantia da segurança dos usuários do Pix.

Usuários da ferramenta precisam estar atentos às ameaças

O especialista aponta ainda que a tendência é que o Pix continue sendo alvo de fraudes e golpes no médio e longo prazo e que empresas e usuários comuns devem estar preparados para aprender a identificar ameaças.

Entre elas, Krening cita o uso de WhatsApp clonados, centrais de atendimento falsas e tentativas de captura de informações sensíveis – o phishing.

“Minha sugestão é sempre definir limites de operações diárias de Pix e determinar um valor compatível com a sua movimentação. É importante não deixar um valor muito alto, que você não utiliza geralmente. Então, definir o que você precisa, o que a sua empresa precisa”, aconselha.

Krening, porém, ressalta que o Pix “revolucionou” as transações financeiras, facilita as trocas e deve continuar uma ferramenta importante no cotidiano do brasileiro.

“Como usuários, temos que estar cada vez mais preparados para situações negativas, mas o produto veio para ficar, é revolucionário e basta nos adaptarmos e estarmos ligados no sentido de sempre nos precavermos”, conclui.

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