Cursos de especialização têm o triplo de estudantes que o mestrado e doutorado no Brasil

Share on whatsapp
Share on twitter
Share on facebook
Share on google
Share on linkedin
Share on email
Brasil tem 1,18 milhão de estudantes de especialização lato sensu, diz levantamento — Foto: Divulgação/Unila

Em 2019, o número de estudantes matriculados em cursos de especialização no Brasil é três vezes maior do que os que fazem mestrado ou doutorado. Essa diferença tem se aprofundado desde 2016, quando a especialização, ou pós-graduação lato sensu, tinha o dobro dos estudantes do chamado stricto sensu. Nesses quatro anos, as matrículas na especialização subiram 74%, contra 18% do mestrado e 9% do doutorado.

A grande maioria desses estudantes trabalha além de fazer o curso – quase a metade deles estão em empregos das áreas de educação, saúde humana ou serviços sociais.

Os dados dão da pesquisa “Cursos de especialização lato sensu no Brasil”, divulgada na sexta-feira (6) pelo Instituto Semesp, entidade que reúne empresas mantenedoras do ensino superior privado.

Segundo o Semesp, o levantamento considerou apenas os cursos com duração de 360 horas “voltados para o aperfeiçoamento de uma área profissional específica com foco nas demandas do mercado de trabalho”. Os cursos MBA (Master Business Administration) também entraram na conta.

Compare a evolução no número de matrículas em cursos de especialização lato sensu, mestrado e doutorado — Foto: Ana Carolina Moreno/G1
Compare a evolução no número de matrículas em cursos de especialização lato sensu, mestrado e doutorado — Foto: Ana Carolina Moreno/G1

A metodologia incluiu o cruzamento de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Dados (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de detalhes sobre oferta de vagas do sistema e-MEC, do Ministério da Educação, e valores de mensalidades divulgados pelo Guia do MBA 2019, do Estadão.

É a primeira vez que o instituto realiza a pesquisa. Segundo Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, a ideia surgiu por causa da falta de dados sobre essa população específica no ensino, que “tem um número expressivo de alunos” e está majoritariamente concentrado na rede privada.

Perfil dos cursos lato sensu

Quase metade dos estudantes da especialização no Brasil tem entre 25 e 34 anos e se declara responsável pelo domicílio em que residem. Além disso, quase dois terços são compostos mulheres, um quarto vive em São Paulo e a grande maioria está matriculada em uma instituição privada.

Veja o perfil dos estudantes de especialização lato sensu no Brasil, segundo o Instituto Semesp — Foto: Ana Carolina Moreno/G1
Veja o perfil dos estudantes de especialização lato sensu no Brasil, segundo o Instituto Semesp — Foto: Ana Carolina Moreno/G1

Apesar de representar quase um terço das matrículas, a participação das matrículas em cursos de especialização a distância (EAD) mais que dobrou, de 161 mil em 2016 para 361 mil em 2018.

Segundo Capelato, o aumento da oferta de cursos EAD na pós-graduação lato sensu é um dos motivos do “encaixe” da população que busca a especialização na oferta das instituições.

“O público que faz pós é mais velho, ‘casa’ com o EAD, e o preço ficou mais acessível.” – Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp.

Maior empregabilidade e renda mais alta

Ainda de acordo com ele, um dos motivos pelos quais cada vez mais brasileiros buscam a especialização é para manter o emprego que já têm. Os dados mostram que 84,9% dos matriculados nesses cursos trabalham. Desse contingente, 65,7% está no mesmo emprego há pelo menos dois anos, 45% trabalha entre 31 horas e 40 horas por semana e 10,4% tem mais de um emprego.

Os dados do Semesp foram divulgados na mesma semana em que um levantamento feito pelo iDados também a partir da Pnad Contínua, mostrou que o Brasil tem uma defasagem entre o mercado de trabalho e os profissionais com ensino superior: são 14,5 milhões de ocupações com exigência de graduação para 18,3 milhões de pessoas que terminaram a faculdade.

Capelato explica que esse excesso é uma decorrência da crise econômica, mas que ela afeta menos os profissionais com formação superior.

“Na crise econômica, diminui o prêmio salarial. Como não tem vaga, o mercado está ruim, o empregador da vaga de nível médio tem a opção de contratar alguém com nível superior. A grande vantagem do ensino superior é a empregabilidade”, explicou o diretor-executivo do Semesp.

Os dados da Pnad mostram que a taxa de desemprego entre quem tem diploma da graduação é de 6%.

Além disso, quanto mais diplomas de pós-graduação, maior é o número de trabalhadores nas faixas de renda mais altas.

Rendimento dos brasileiros por nível de formação — Foto: Ana Carolina Moreno/G1
Rendimento dos brasileiros por nível de formação — Foto: Ana Carolina Moreno/G1

A pesquisa do Semesp leva em conta o custo apenas dos cursos de MBA. Em média, os cursos de até 12 meses custam R$ 10.213, enquanto os de 13 a 24 meses saem por R$ 16.458 e os cursos de MBA com mais de 24 meses de duração têm um valor médio de R$ 25.981.

Ana Carolina Moreno

OUTRAS NOTÍCIAS