A falta de lucidez, honra e moralidade do presidente do Legislativo feirense/por Carlos Lima

Presidente do Legislativo feirense

“Se houve consenso eu acho que é preciso repudiar o ato, mas no meu ponto de vista não é razão para demitir, no meu ponto de vista. Respeito à opinião de qualquer um, mas o meu é esse”.

Essa foi à declaração do presidente da Câmara Municipal de Feira de Santana, vereador José Carneiro, em relação à confirmação do Procurador Geral, Ícaro Ivvin, de ter mantido relação sexual com uma servidora da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedeso), no interior da própria Secretaria, da qual era secretário interino.

O vereador tendo sua declaração contestada e condenada pela sociedade feirense resolveu pedir desculpas, e mais uma vez tentou se eximir da falta de lucidez, honra e moralidade, afirmando que não foi bem isso que disse, sua declaração foi destorcida, mal interpretada pelo profissional que o entrevistou e por aqueles que criticaram.

Esse homem é o presidente do Poder Legislativo do município de Feira de Santana.

O que infelizmente nos proporciona a ideia de qual seja a prática no interior desse poder, talvez não tenha cadeiras nos gabinetes, quem sabe sofá-cama.

A declaração do vereador José Carneiro foi perversa, banalizando e reduzindo o assédio sexual a uma simples relação de dominação.

Essa simplificação do crime praticado visa reduzir a mulher, as vítimas de assédio, a cúmplice e até mesmo responsável pela situação, como fez o presidente do Legislativo feirense, reconhecendo a dimensão de dominação e negando as ascendência que paralisa a vítima e a impede de se defender.

Ao dizer que não considera a possibilidade de demissão do Procurador Geral, José Carneiro demonstra um machismo de característica impudica.  Tenta manipular conceitos para defender seus interesses pessoais, sem qualquer preocupação ou receio de demonstrar um comportamento repreensível.

O presidente da Câmara ao aceitar a prática sexual em prédios públicos expõe de forma visível, que o superior hierárquico tem direitos, pois não se trata de relações entre iguais, à recusa só trará consequências para quem está negando à submissão.

Ele tem a certeza absoluta de que o assédio sexual acontece entre desiguais, não pela questão de gênero masculino verso feminino, mas porque um dos elementos da relação dispõe de formas de penalizar o outro.

Ou seja, abusa sexualmente, desmoraliza a vítima e ainda pune.

Alguém que defende essa barbaridade e permite transformar órgãos públicos em bordéis, deve ter na consciência saudades de um passado escuso.

Carlos Lima

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