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NEOLIBERALISMO E MUDANÇAS CLIMÁTICAS/POR OSVALDO VENTURA

Escritor Osvaldo Ventura

A existência do Capitalismo Financeiro está causando preocupação no mundo todo, pois seu neoliberalismo arrasador provoca o empobrecimento da maioria dos habitantes do Planeta, além de produzir os gases responsáveis pelo efeito estufa, causador dos extremos climáticos que nos apavoram.

Aparentemente, não há que se falar sobre qualquer relação entre o neoliberalismo e as mudanças climáticas. O primeiro refere-se à derivação da doutrina econômica do Capitalismo Industrial e seu liberalismo clássico, concentrando rendas e empobrecendo os seres humanos, enquanto as mudanças climáticas são fenômenos que estão flagelando nosso Planeta no momento, numa explícita ameaça às nossas vidas.

Entretanto, em sendo próprio da natureza humana tentar decifrar o significado das coisas ocultas com o propósito de compreender para dominá-las, permite-nos fazer algumas reflexões sobre as causas e efeitos deletérios destas circunstâncias que, democraticamente e sem qualquer viés identitário, assolam a atual civilização.

Com a vitória dos aliados na segunda guerra mundial contra o Pacto Tripartite (Eixo) formado pela Alemanha, Itália e Japão, houve um fortalecimento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), cujo governo centralizado na Rússia era conhecido como Ditadura do Proletariado.

Receoso da expansão do regime russo para os países da Europa Ocidental, o Capitalismo Industrial dá uma volta sobre si mesmo a fim de continuar existindo, abraça o lema da Revolução Francesa, Liberdade, Igualdade e Fraternidade com o intuito de melhorar as condições de vida de seus nacionais, principalmente os trabalhadores, resultando no surgimento da Social Democracia.

Anos depois, em face dos avanços importantes das ciências e o consequente aumento significativo da prestação dos serviços públicos em geral, sob a alegação de que o poder exagerado dos Estados Nacionais criava empecilhos aos seus negócios, a burguesia gananciosa do Capitalismo Industrial começou a perceber a diminuição das expectativas da acumulação de riquezas. Era o começo do fim do razoável, porém ainda de cunho burguês, regime social democrático.

Assim, após três décadas, a Social Democracia do Ocidente Europeu sucumbiu às pressões do Capitalismo Industrial, que mais uma vez se contorcia sobre o próprio corpo para sobreviver com seu estado mínimo. Daí, vindo das catacumbas do Liberalismo Clássico, desabrocha o destrutivo Capitalismo Financeiro e seu liberalismo exacerbado, onde tudo vale para a concentração de muita riqueza nas mãos de poucos e, quanto aos outros, salve-se quem puder.

Pois é esse liberalismo, ou melhor, neoliberalismo, do qual o Capitalismo Financeiro apossou-se, que está destruindo a civilização, quiçá a própria vida terrestre. O lucro exacerbado, o ganho a qualquer custo e o ímpeto pela posse de bens materiais fazem parte da trilogia do neoliberalismo que destrói a Natureza e empobrece os indivíduos e as sociedades.

Deste modo, para obtenção de ganhos extraordinários, o Neoliberalismo faz pouco caso dos dados científicos que demonstram a insensatez do uso de combustíveis fósseis, responsáveis pelos gases que produzem o efeito estufa, aumentando a temperatura na Terra, e tendo como consequência as tragédias climáticas mundo afora.

Eis aí a origem e como estão interligados o neoliberalismo e as mudanças climáticas, imperceptível à primeira vista.

Mas, é como diz o poeta na música popular brasileira: “Que a vida não é só isso que se vê / é um pouco mais”.

Osvaldo Ventura , Advogado, escritor  e membro da Academia Feirense de Letras

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