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Problemas e Sugestões para o Sistema de Transporte Público por Ônibus de Feira de Santana.

Antonio Rosevaldo Ferreira

Criticar o Sistema de Transportes Público de Feira de Santana é muito fácil, pois basta ficar em um ponto de embarque, e certamente voce terá n razões para embasar sua opinião. Ouvir usuários do transporte não é muito diferente, aliás os próprios gestores perderam a vergonha em assumir as fragilidades do sistema que acabam por fazer sofrer a população.

Se pode resumir neste texto alguns problemas básicos em duas palavras: Cobertura e Frequência. A primeira significa que o atual sistema não consegue ter um contrato de concessão que faça a devida condução das pessoas de sua origem ao seu destino.

As pessoas precisam se deslocar diariamente pela cidade, basicamente para trabalho, educação, saúde e lazer. Para cobrir a cidade como um todo oferecendo ônibus a toda sua população é preciso dimensionar a demanda atual e a demanda futura, ou seja, pessoas que deixaram de usar o sistema e passaram a utilizar modais de transporte individual e em alguns casos transporte não motorizado como andar a pé e de bicicleta.

A própria concepção do sistema com 82 linhas sendo atendidas por uma frota operante de 248 ônibus já dá o tamanho do problema, pois temos uma média de 3,02 ônibus por linha (248/82). Por aqui já vimos que o problema está instalado em sua origem. Daí advém o segundo problema, frequência, pois as pessoas ficam mais tempo no ponto esperando por um veículo que demora em chegar.

Veja um exemplo de uma mulher moradora do Condomínio Alegria 2 no bairro do SIM. Precisa caminhar por um bom espaço até a Avenida Artemia Pires e aguardar por um ônibus que é insuficiente à demanda local.

O problema fica pior a noite, quando essa mesma mulher depois se livrar dos potenciais assédios nos pontos de embarque, tem de andar de volta ao nada alegre caminho do Alegria 2. A frequência de ônibus na avenida Artemia Pires é uma das piores da cidade.

Em outras cidades a idade da frota não é tão boa quanto a de Feira de Santana, o problema é que as duas concessionárias vêm sistematicamente reduzindo a frota operante e a prefeitura aumentando as linhas, onde já se encontram em 102, segundo se comenta. Menos ônibus, maior percurso, menor eficácia do sistema e aí parecem as falhas de mercado.

Por outro lado, o alto custo das tarifas faz com que as perdas de usuários tenham aumentado nos últimos anos, ora para a moto, ora para o automóvel e a carona solidária, ora para o ligeirinho, ora para o pior dos mundos, a exclusão da possibilidade de uso do serviço.

Pegar a grana do vale transporte e comprar uma moto de baixa cilindrada é opção viável para a classe trabalhadora, afinal de contas 80 passagens mês equivalem a R$ 332,00.

Com a inauguração de novos condomínios, as pessoas se conhecem pela convivência e resolvem pagar a gasolina de quem tem automóvel, ora um carro popular rodando por mês um percurso de 20 km/dia permite um rateio de R$ 89,33 em média para três pessoas com conforto. Um ligeirinho por sua vez entra no condomínio e transporta as pessoas em tempo hábil.

E, por fim, alguns trabalhadores não conseguem pagar a tarifa e andam a pé, excluídos do uso de um direito social consagrado na Constituição Federal, o transporte.

Entre tantos problemas a integração espacial cria alguns monstrengos na cidade, pois um morador do Feira X que trabalha na praça do Tomba, tem de pegar um ônibus para o terminal central e outro para o local de trabalho, gastando um tempo de viagem enorme. A integração espacial afasta usuários do sistema.

O transporte clandestino existe de uma forma acintosa na cidade e precisa ser combatido.

A prefeitura consegue fazer um bom combate, mas a operação fiscalizadora combate a consequência e não faz o principal que é o combate a origem do clandestino e as razões acima expostas são a torneira aberta que precisa ser fechada, pois as operações fiscalizadoras apenas enxugam o chão.

Mas quais as soluções para o sistema de ônibus em Feira de Santana?

Redesenhar as linhas, aumentar a frota, aumentar o número de empresas transportadoras, extinguir a integração espacial e implantar a integração temporal de 2 horas, criar o sistema complementar, criar linhas Inter bairros, realizar campanhas publicitárias conscientizadoras de maior uso do transporte legalizado e criar elementos que reduzam a tarifa, com novos meios de financiamento do sistema.

Redesenhar as linhas até a prefeitura já entendeu, afinal o Papagaio, a Avenida Iguatemi, a Avenida Artemia Pires precisa de mais ônibus e isso até o mais otimista defensor do caos sabe.

Aumentar a frota é fundamental, pois não se consegue conceber uma frota operante de 248 ônibus para uma população de mais de 600 mil pessoas, é uma das piores relação ônibus/habitante do país.

Deixar um sistema desse tamanho entregue a duas operadoras é um risco muito grande, pois numa crise a cidade fica desamparada.

Não gosto de ser saudosista, mas a cidade era melhor atendida por Oliveira Lacerda, Autounida, Transul, Aimoré, Autosel, Safira, Transfeira e outras.

Em caso de uma vir a falir, a prefeitura terá mecanismo de correção sem tanto prejuízo de parar uma cidade. Como era agradável ter empresários locais como Joel, Sebastião, Ricardo, Carlinhos Lacerda, Joao do Porco, Vavá, Joel e tantos outros.

Já é sabido que a integração temporal é dominante no país, reduz custos operacionais e aumenta o número de pessoas transportadas, me parece ser razoável, até prova em contrário o tempo de 2 horas.

Não se pode ignorar as relações produtivas entre a Cidade Nova e o Campo Limpo, Feira VI e outros, bem como Tomba, Feira VII, Feira X e outros, daí ser importante um subsistema operado com vans e minivans integrado ao sistema maior.

Por outro lado, uma tarifa se define pela formula CT/passageiros transportados, ora se eu aumento o denominador dessa equação eu consigo reduzir a tarifa e incrível, nunca vi uma campanha para aumentar os embarques, privilegiando com prêmios e bônus os usuários fidelizados do sistema tipo assim, quem pagar 80 passagens num mês ganha algo como novas passagens, prêmios descontos em IPTU, ISS, etc.

As gratuidades no Brasil são em média 17%, aqui em Feira de Santana são 22% até quatro anos atrás, ou seja, se conseguirmos um financiamento para as gratuidades, a tarifa somente aí reduz para R$ 3,24.

Os polos geradores de viagens como bancos e shoppings precisam ser chamados a financiar o sistema, pois se beneficiam de um sistema eficiente e pasmem, os ligeirinhos com toda sua insegurança jurídica transportam boa parte das pessoas para estes locais, um escambo seria bem-vindo.

Por fim criar um grupo para diagnosticar por que a tarifa em Feira de Santana é tão cara e oferecer uma resposta condizente a sociedade.

Pode ser que meu diagnóstico esteja errado, pode ser que minha proposta de soluções tambem sejam fracas do ponto de vista técnico e até político, mas algo precisa ser feito, caso contrário a população continuará pagando caro por um sistema ruim.

Esta é a realidade!

Antonio Rosevaldo Ferreira

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