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Cadáveres são amontoados a céu aberto em cemitério de Pernambuco

Corpos expostos a céu aberto

A população de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, denunciou nesta quinta-feira (18) que o cemitério da cidade está superlotado e há ossadas e cadáveres em decomposição à céu aberto.

As imagens foram compartilhadas por moradores do município, que cobram providências no momento em que o Brasil atravessa a maior crise sanitária de sua história, com cerca de 3 mil vítimas de Covid-19 por dia.

“As pessoas chegam para visitar os entes queridos que faleceram e dão de cara com os corpos em decomposição. Um mau cheiro terrível”, comentou a dona de casa Estela Ribeiro, de 49 anos, que reside no entorno do cemitério.

Segundo ela, o local sofre com a falta de mão de obra para atender a atual demanda. “Já vi gente esperando horas para enterrar uma pessoa. Esperando um funcionário voltar do intervalo”, continuou.

Nas redes sociais, o registro dos corpos provocou revolta. Nas imagens, é possível notar sacos sobrepostos com os cadáveres e algumas ossadas.

“A gente em plena pandemia e esses corpos aí levando sol e vento. Ninguém sabe se esses corpos têm covid-19. Compartilhem aí para chegar às autoridades”, escreveu um usuário.

Em nota, a Prefeitura de Vitória de Santo Antão disse que o Cemitério São Sebastião está superlotado e que dois projetos de lei serão enviados à Câmara Municipal para que dois novos cemitérios, incluindo crematório, sejam construídos.

A Prefeitura acrescentou que, após consultar a Procuradoria-Geral da cidade, decidiu que os corpos e ossadas serão sepultados em outros dois cemitérios, na zona rural.

4 mil mortes por dia

Enquanto o mundo vê o número de casos e mortes de Covid-19 diminuir, o Brasil segue o caminho contrário.

Há caminhões frigoríficos para armazenamento de corpos espalhados por diversas cidades do país, ao passo que os cemitérios estão abarrotados.

Nessa semana, já são dois dias com mais de 2.600 óbitos em 24h.

O mais aterrador é que a situação pode ser ainda mais dramática: o Brasil pode chegar a registrar 4 mil mortes em um só dia — algo que só acontece nos Estados Unidos, país com 100 milhões de habitantes a mais.

De forma inédita, os casos e mortes em decorrência da doença sobem substancialmente em todos os estados do Brasil ao mesmo tempo.

Esse é um indicador importante de que a doença está fora de controle, segundo o cientista Isaac Scharstzhaup.

O especialista criticou as variações de lockdown que tem sido vistas ao redor de todo o país, como fechamentos totais realizados apenas por poucos dias. “Não adianta fazer lockdown de fim de semana, de sete dias.

O ciclo de contágio do vírus é de 14 dias. Os países que adotaram o lockdown mais rigoroso só começaram a ver resultados a partir do décimo-quarto, décimo-quinto dia”, afirma.

Ele também alerta para um eventual relaxamento das restrições logo na sequência de uma eventual queda nas taxas de ocupações de leitos em hospitais (como se deu no Brasil durante o primeiro pico da crise sanitária).

“Por isso nunca chegamos a zerar o número de casos, como a Europa conseguiu, depois da primeira onda.

Quando as restrições não são feitas corretamente, acabamos fazendo um platô, uma estabilização em patamar alto.

O Brasil teria que fazer uma restrição forte e não ceder no momento em que os números se estabilizam, esperar a real desaceleração”, analisa.

RPP

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