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Jornalistas bolsonaristas são cães na coleira. Por Moisés Mendes

Cães de coleira

Muita gente se espantou quando o narrador André Marques e o comentarista Márcio Guedes, da TV Brasil, mandaram abraços para Bolsonaro durante a transmissão do jogo da Seleção contra o Peru, agora em outubro.

Jornalistas, inclusive da Folha, do Globo e do Estadão, só não mandam abraços e beijos para Bolsonaro porque os veículos em que trabalham são inimigos do sujeito.

Alguns deles mandavam abraços para Sergio Moro. Mas Moro, agora ex-tudo, ex-juiz, ex-justiceiro, ex-ministro da Justiça, ex-futuro ministro do Supremo, tinha glamour.

Moro era caçador de corruptos da esquerda, só da esquerda, e amigo da mídia. Bolsonaro não tem charme nenhum e brigou com as corporações.

Mas muitos jornalistas gostariam de estar declaradamente ao seu lado por afinidade, com todos os custos que tal atitude poderia provocar.

Estão em silêncio, não poucos em sofrimento, mas torcendo por Bolsonaro. Há entre eles uma maioria de tucanos desamparados. Outros tantos são reacionários mesmo.

Só não abrem o jogo porque, no caso das organizações afiliadas da Globo, é preciso manter a unidade contra a família.

Se não fosse assim, o jornalismo das corporações estaria tomado pelo bolsonarismo. Tem gente inquieta em rádios, TVs e jornais como se fosse cão na coleira, porque não consegue dizer o que desejaria.

Rodrigo Constantino, o comentarista que atribuiu estupros em alguns casos ao atrevimento das mulheres (como disse em comentário na Jovem Pan), é modelo para muita gente.

Os reprimidos, que não conseguem mandar abraços para Bolsonaro, gostariam de imitar Constantino. Porque ele diz o que pensa.

Constantino perdeu ontem o emprego na Jovem Pan pelo comentário que passou dos limites, mesmo que eles nunca saibam direito onde possam estar esses limites.

A rádio não topou segurar as pontas de quem presta grandes serviços para a mídia de extrema direita, mas foi longe ao dizer no ar que compreendia a situação de homens acusados de estupro, porque às vezes as mulheres são as culpadas.

E cometeu o absurdo de dizer que, se a sua filha (com ele na foto nesta página) chegasse em casa dizendo que bebeu numa festa e teve envolvimento com algum homem, a moça deveria ser punida.

Como se o caso hipotético da própria filha pudesse ser comparado ao da blogueira Mariana Ferrer, de Santa Catarina, que acusou um homem de estupro e viu o acusado ser absolvido. A moça enfrentou humilhações do advogado do presumido estuprador diante de um juiz, numa audiência online que todo mundo já viu.

Abaixo, o link do vídeo com a resposta de Laura, a filha do jornalista que entende os estupradores, constrangida por ter de comentar a fala que resultou na demissão do pai.

Constantino, que já foi expelido das páginas de vários jornais e revistas, incluindo Zero Hora, é o mártir de jornalistas que pensam como ele, mas que nem sempre podem imitá-lo.

Moisés Mendes

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