Advogado de Sarkozy vai recorrer de medidas impostas contra o seu cliente

Share on whatsapp
Share on twitter
Share on facebook
Share on google
Share on linkedin
Share on email
Nicolás Sarkozy concede entrevista à TV francesa TF1 após ser indiciado por financiamento ilegal de campanha

O advogado do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy anunciou nesta sexta-feira (23) que vai recorrer contra as medidas judiciais impostas a seu cliente, indiciado na quarta-feira na investigação sobre o suposto financiamento líbio de sua campanha eleitoral em 2007.

O advogado Thierry Herzog afirmou que as medidas impostas proíbem a Sarkozy reunir-se com outras pessoas investigadas no caso, incluindo dois ex-ministros muito próximos a ele durante sua presidência (2007-2012), e impedem viagens a Líbia, Egito, Tunísia e África do Sul, de acordo com a France Presse.

Esta é a 1ª vez que a justiça toma uma decisão do tipo para um ex-presidente francês durante a V República, em vigor desde a aprovação da Constituição de 1958.

“Há um duplo grau de jurisdição na França. Temos o direito de recorrer. Apelarei contra este controle judicial e veremos o que diz a câmara de instrução de Paris”, declarou Herzog.

Após mais de 24 horas de detenção preventiva, Sarkozy foi indiciado na quarta-feira à noite por “corrupção passiva, financiamento ilícito de campanha eleitoral e acobertamento de fundos públicos líbios”. O ex-presidente, que nega todas as acusações, prometeu fazer “triunfar sua honra”.

De acordo com o advogado, a convocação de Sarkozy para uma detenção preventiva foi “a crônica de um indiciamento que já estava anunciado”.

Herzog lembrou que o cliente já havia sido indiciado por outro caso, o do suposto financiamento ilícito de sua campanha pela falecida proprietária do grupo L’Oréal, Liliane Bettencourt, antes de um arquivamento. “Acontecerá o mesmo desta vez”, disse.

O indiciamento é o capítulo mais recente do caso, investigado pela justiça há quase cinco anos.

As acusações surgiram em 2012 após a publicação de um documento pelo site Mediapart, que indicava que o regime líbio havia aprovado um pagamento para apoiar a campanha de Sarkozy.

Por conta desses documentos, o ex-secretário-geral do Palácio do Eliseu Claude Guéant já é investigado por falsificação de documentos e fraude fiscal.

Embora o ex-presidente tenha afirmado que o documento era falso, a corte francesa declarou que alguns documentos eram autênticos e poderiam ser utilizados na investigação. A ação do Escritório Central de Luta contra a Corrupção e as Infrações Financeiras e Fiscais (OCLCIFF) que investiga o ex-presidente foi aberta em 2013.

Em novembro de 2016, durante as primárias do partido republicano, o franco-libanês Ziad Takieddine afirmou ter transportado 5 milhões de euros em espécie de Trípoli até Paris, entre 2006 e 2007, antes de entregar o montante a Sarkozy, que era então ministro do Interior, segundo o “Le Monde”.

Os 50 milhões de euros, supostamente recebido pela campanha de Sarkozy, representam mais que o dobro do limite permitido legalmente na época para financiamento de campanhas políticas: 21 milhões de euros, de acordo com a Deutsche Welle. Ainda quando presidente, Sarkozy classificou as suspeitas de “grotescas”.

Sarkozy tinha uma relação complexa com Khadafi. Logo após se tornar presidente, ele convidou o líder líbio para uma visita oficial à França e o recebeu com honras de Estado. Nessa visita, foram assinados contratos comerciais de cerca de 10 bilhões de euros entre os dois países.

Porém, anos depois, Sarkozy foi um dos maiores apoiadores dos ataques aéreos, liderados pela Otan, contra o governo líbio durante o levante de 2011, que culminaram com a queda do ditador, no auge do movimento que ficou conhecido como Primavera Árabe. Khadafi foi morto em um ataque aos 69 anos.

Ricardo Santuari

OUTRAS NOTÍCIAS