Cientistas estudam mulher que escreve mas não consegue ler

 

Um estudo da Universidade de Chicago, publicado na revista “Neurology”, pode ajudar os cientistas a entenderem como a linguagem se processa no cérebro. O artigo foi baseado no caso de uma professora de jardim de infância, identificada apenas como M.P., que sofreu um acidente vascular cerebral em outubro de 2012, embora não tivesse se dado conta do incidente. A mulher perdeu a capacidade de ler – as palavras tornaram-se símbolos indecifráveis – mas ainda era capaz de escrever e entender o que era falado, uma rara síndrome neurológica conhecida como “cegueira de palavras”.

O derrame cerebral da professora interrompeu a conexão de sua “área de linguagem” com o córtex visual. A possibilidade de que a ligação entre essas regiões seja interrompida foi descrita ainda em 1892 – seria consequência de lesões graves, como o AVC. O caso de M.P. foi considerado surpreendente porque apenas uma pequena parte da área do cérebro ligada à linguagem foi danificada, mas o dano foi significativo.

A professora, que é acompanhada pelos pesquisadores há dez meses, consegue mostrar reações emocionais ao ver palavras, mesmo sem reconhecê-las. Por exemplo, quando lhe era mostrada a palavra “sobremesa”, ela exclamava: “Eu gosto disso!”.

Para superar sua incapacidade após o AVC, a professora inventou um método de leitura. Ao ver uma palavra, M.P. direciona sua atenção à primeira letra, que ela não consegue reconhecer. Ela, então, desenha cada letra do alfabeto, até ver aquela cujo traçado é idêntico ao que está na palavra que ela tenta entender. “Esta é a letra M”, declara, após desenhar as letras do alfabeto. Depois de aplicar o mesmo exercício com outras letras, ela arrisca uma interpretação: “A palavra é ‘mãe'”.

Fonte: Redação / O Globo

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