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EUA afirma que teste de míssil hipersônico pela China ‘aumenta tensões na região’

China testa com sucesso mísseis hipersônicos

Os Estados Unidos não receberam nada bem as informações de que a China teria testado com sucesso, em agosto, um novo míssil hipersônico com capacidade nuclear, como reportou inicialmente o jornal Financial Times.

Nas palavras do secretário de Defesa Lloyd Austin, o novo armamento ajuda a “aumentar as tensões na região”, de acordo com a agência catari Al Jazeera.

“Estamos preocupados com as capacidades militares que a RPC (República Popular da China) continua a perseguir. Mais uma vez, a busca por essas capacidades aumenta as tensões na região”, disse Austin durante um encontro anual com lideranças da Coreia do Sul, no qual foram debatidas questões militares com foco sobretudo em China e Coreia do Norte.

Austin aproveitou para reforçar a aliança com países da região eventualmente ameaçados por Beijing, mensagem que pareceu endereçada a Taiwan.

“Continuaremos a manter as capacidades de defesa e dissuasão contra uma série de ameaças potenciais da RPC a nós mesmos e aos nossos aliados”.

O míssil hipersônico teria sido lançado ao espaço, contornando o globo terrestre antes de acelerar em direção ao alvo em terra.

Pessoas familiarizadas com a operação afirmam que a tecnologia coloca a China à frente dos EUA no que tange a armamentos hipersônicos, mesmo que o míssil tenha errado o alvo por cerca de 40 quilômetros. Beijing nega a informação e diz que os testes envolviam um veículo espacial reutilizável.

No encontro Washington e Seul também debateram a questão da Coreia do Norte, que igualmente tem realizado testes militares. Apesar de concordarem que a beligerância de Pyongyang “cada vez mais desestabiliza a segurança regional”, ambos adotaram um tome menos assertivo e disseram que a diplomacia é a prioridade no trato com o regime deKim Jong-un.

Suh Wook, ministro de defesa sul-coreano, disse que os aliados compartilham o entendimento de que “a diplomacia e o diálogo baseados em compromissos anteriores entre as Coreias do Sul e do Norte, bem como entre Coreia do Norte e Estados Unidos, são essenciais para alcançar a paz permanente na Península Coreana”.

Em setembro, a Coreia do Norte afirmou ter testado com sucesso um míssil hipersônico chamado Hwasong-8, que a mídia estatal local classificou como “um dos cinco mais importantes” novos sistemas de armas estabelecidos em seu plano de desenvolvimento militar de cinco anos.

Por que isso importa?
O fortalecimento militar chinês gera preocupação entre os norte-americanos e é assunto de interesse global devido à questão de Taiwan. Recentemente, um oficial de defesa dos EUA que prefere não se identificar afirmou que o crescimento do arsenal chinês pode forçar a ilha a abandonar suas aspirações de soberania e definitivamente se colocar sob o domínio do Partido Comunista Chinês (PCC).

Como os EUA são o principal aliado militar de Taipé, uma ação de Beijing nesse sentido poderia desencadear um conflito entre as duas superpotências.

Em caso de guerra, a supremacia militar dos EUA não é uma garantia, considerando o alto investimento da China no setor. Analistas e líderes militares ouvidos pela rede norte-americana Voice of America (VOA) afirmam inclusive que Beijing pode superar os Estados Unidos como mais poderosa força aérea do mundo na próxima década.

Em setembro, durante uma conferência militar, o general Charles Brown Jr., chefe do Estado-Maior da força aérea norte-americana, qualificou o exército chinês como detentor das “maiores forças de aviação do Pacífico”. E disse que o posto foi alcançado “debaixo de nosso nariz”, sem uma resposta à altura. Mais: ele projetou que a China pode assumir a supremacia aérea militar global em 2035.

No mesmo evento, o tenente-general S. Clinton Hinote manifestou opinião semelhante e advertiu que os EUA não acompanham os avanços da China. “Em algumas áreas importantes, estamos atrasados.

E falo ‘nesta noite’. Esse não é um problema de amanhã. É de hoje”. Posteriormente, em conversa privada com jornalistas, reforçou a opinião de que os chineses já igualaram os avanços tecnológicos norte-americanos no setor.

O arsenal nuclear da China também tem aumentado num ritmo muito maior que o imaginado anteriormente, levando a nação asiática a reduzir a desvantagem em relação aos Estados Unidos nessa área. Relatório recente do Pentágono sugere que Beijing pode atingir a marca de 700 ogivas nucleares ativas até 2027, tendo a meta de mil ogivas até 2030.

Por ora, o poder de fogo nuclear da China não se compara ao dos Estados Unidos, que têm cerca de 3,8 mil ogivas e não planejam ampliá-lo. Na verdade, o arsenal norte-americano foi drasticamente reduzido nos últimos anos, considerando que em 2003 eram cerca de 10 mil dispositivos ativos. Porém, se mantiver o projeto de longo prazo, a China planeja igualar ou mesmo superar tais números até 2049.

AR

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