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Imprensa mundial debocha da imparcialidade na cobertura da guerra na Ucrânia

EXPLOSÃO EM ALVO MILITAR, NA CIDADE DE KIEV

Essa é a primeira vez em décadas que a grande mídia cobre uma guerra defendendo o ponto de vista do país atacado. Cinco minutos de cobertura televisiva sobre a Ucrânia consegue ser mais revoltante e avassalador que meses de cobertura sobre os ataques dos EUA e OTAN à Sérvia, Iraque e Líbia, avalia professor.

O conselheiro da Organização Internacional do Trabalho (OIT) Antônio Lisboa acompanha com apreensão os desdobramentos da guerra na Ucrânia.

Lisboa lembra que 2022 traz um novo contexto mundial, no qual a lógica geopolítica é completamente diferente do que estávamos acostumados a acompanhar. Não existe mais aquela antiga disputa leste x oeste, capitalismo x socialismo ou mesmo esquerda x direita.

Estamos assistindo a duas potências disputando espaço territorial, numa lógica que remonta a um contexto anterior ao da revolução russa de 1917. Os trabalhadores não podem cair na interpretação fácil de que se um lado está errado, o outro necessariamente está certo. Nem sempre isso acontece.

Temos que ter em mente que quem mais perde numa guerra são as pessoas mais frágeis, os civis, os trabalhadores que perdem direitos, perdem empregos e passam fome.

Não há mocinhos ou bandidos, ou lado certo e lado errado. E, ainda assim, a imprensa mundial escolheu seu lado e disse adeus à imparcialidade na cobertura – que segue a versão da OTAN.

Em seu Facebook, Lisboa fez as seguintes observações:

“Essa é a primeira vez em décadas que a grande mídia cobre uma guerra defendendo o ponto de vista do país atacado. Cinco minutos de cobertura televisiva sobre a Ucrânia consegue ser mais revoltante, indignante e avassalador que meses de cobertura sobre os ataques dos EUA e OTAN à Sérvia (Belgrado) de Milosevic, ao Iraque (Bagdad) de Saddam e à Líbia (Trípoli) de Kadafi. A diferença é assustadora e revoltante.

Nos ataques estadunidenses de 1999, 2003 e 2011, a mídia tratava os ataques como necessários e justificáveis.

As hipérboles (massacre, destruição, catástrofe, arrasar, banho de sangue etc) e adjetivos negativos (ditador, agressor, violento, perigoso, infame etc.) eram sempre dirigidos aos líderes atacados, jamais aos agressores.

Uma única explosão na Ucrânia nas últimas horas já causou mais indignação midiática mundial que semanas de ataques bárbaros à Líbia de Kadafi.

Obama e OTAN arrasaram um país soberano. Os alvos?

Toda a estrutura de governo, palácios, instituições de poder. Toda a infraestrutura de energia, transporte e água. Estradas, pontes, aeroportos, estações de tratamento e abastecimento de água, usinas e subestações de energia elétrica, gasodutos, tudo que fosse minimamente básico e necessário ao funcionamento do país.

A toda essa destruição, a mídia internacional jamais fez comover a massa telespectadora.

Nos ataques de Obama, os termos utilizados eram sempre os mais amenos: “zona de exclusão do espaço aéreo”, “ataques cirúrgicos”, “precisão”, “redução de danos”.

Mas basta um único bombardeio de Putin a alvos militares que a comoção é levada ao extremo: “terror”, “destruição”, “indignante”, “banho de sangue”.

Letícia Sallorenzo

Nenhum comentário sobre as verdadeiras razões da Rússia ter  tomado a decisão de desmilitarizar a Ucrânia, ou a decisão do presidente ucraniano de armar a população civil para enfrentar um exército profissional, inclusive ensinando como se faz coqutel molotov e usálusos cpontra os russos, envolvendo-os num conflito milita provocado por ele próprio.

cljornal.

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