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O que não dizem sobre o “Exército Islâmico”? Que os sauditas e os EUA estão por trás deles.

Desde o ano passado, quando Dilma Rousseff defendeu a posição de que não se resolvem problemas de conflitos de um país despejando bombas sobre ele (o que deveria ser óbvio, pelo menos há 50 anos, desde o Vietnã) a direita brasileira e boa parte de nossos “comentaristas” refere-se a isso como uma absurda leniência com os facínoras do Exército Islâmicos.

Com seu cérebro transtornado pelo primarismo que tomou conta da mídia, nesta Era Glacial da Inteligência marcada pelo coxismo, ninguém se pergunta como, do nada, surgiu um exército de fanáticos, super bem armado, com todo o tipo de equipamento moderno, linhas de suprimentos e fornecimento de munição capaz de impor derrotas a tropas profissionais, regulares, calejadas em décadas de combates.

Esta pergunta tem uma resposta óbvia que, entretanto, fica longe dos nossos grandes jornais.

O ISIS se formou e se sustenta graças ao apoio, financeiro e bélico, da Arábia Saudita, o grande parceiro dos EUA no Oriente Médio.

Hoje, finalmente, alguém saiu do silêncio. Guga Chacra, comentarista internacional do Estadão, publicou um artigo com o mesmo conteúdo que, há um ano, quase que só circula na “imprensa maldita”.

Então, antes tarde do que nunca, é bom que esta história seja lida por quem acha que se faz por aqui jornalismo dissociado dos fatos e que a verdade sai mesmo é nos grandes jornais.

Por que ninguém fala do apoio da Arábia Saudita ao terrorismo mundial?

O ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh, segue a ideologia wahabbita do islamismo. A Al Qaeda segue a ideologia wahabbita do islamismo.

O Boko Haram segue a ideologia wahabbita do islamismo. O Al Shabab segue a ideologia wahabbita do islamismo. Verdade, esta ideologia não representa a totalidade do islamismo. Tampouco a totalidade do islamismo sunita. Longe disso.

Nem mesmo a maioria dos sunitas são wahabbitas. Mas o regime de Arábia Saudita é seguidor e propagador da ideologia wahabbita, que tem crescido bastante no mundo islâmico, especialmente no Oriente Médio e na África, além de em parte de comunidades islâmicas na Europa.

No regime saudita, mulheres são alvos de apartheid. Minorias religiosas, como os xiitas, são perseguidas. Cristãos e judeus só entram no país como convidados. Há ligações de braços do regime saudita com todos os grupos terroristas acima citados, embora alguns de fato sejam inimigos do comando da família Saud.

Aliás, o poder na Arábia Saudita passa de irmão para irmão, sem nenhuma liberdade democrática.

Ainda assim, tratam o regime saudita “como moderado” no Ocidente, onde o regime do Irã, inimigo dos wahabbitas, é tratado como o radical (embora realmente seja, mas na vertente xiita do islamismo).

Por que?

Porque de fato a Arábia Saudita nunca ameaçou formalmente os EUA. Isto é, não ficam gritando “Morte aos EUA” ou “Morte a Israel”.

E colaboram com os americanos em uma série de áreas de segurança internacional, além de serem os maiores exportadores de petróleo do mundo.

Notem, no entanto, que o membro da Al Qaeda e um dos mentores do 11 de Setembro, Zacarias Moussaoui, diz abertamente que membros proeminentes do regime saudita financiavam a rede terrorista nos anos 1980.

O ex-­senador da Florida Bob Graham tem fornecido provas neste sentido, como se pode ver . Sem falar que 15 dos 19 terroristas eram sauditas. Curiosamente, um dos poucos países a reconhecer o regime do Taleban era a Arábia Saudita.

Até décadas atrás, não havia esta disseminação de mesquitas e madrassas com a ideologia wahabbita pelo mundo.

Outras ideologias, bem mais moderadas, tinham mais força. O crescimento desta ideologia ultra conservadora e extremista disseminada pelo regime saudita radicalizou nas últimas décadas parcelas da população muçulmana, mesmo alguns que não sejam wahabbitas (noto que há muitos wahabbitas pacíficos).

Grande parte da culpa pela radicalização do mundo islâmico e pelo surgimento de grupos radicais como ISIS, Al Qaeda, Boko Haram e Al Shabab é do regime em Riad.

Não dá para esconder isso, nem dá pra esconder como em muitos lugares, como a Síria, o Isis serve diretamente aos interesses norte-americanos.

Fonte: Guga Chacra

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