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Deputados afirmam que “justiça foi feita” com a cassação de Arthur do Val

Mamãe Falei teve o mandato cassado

Com 73 votos favoráveis, Arthur do Val (União Brasil-SP), conhecido como Mamãe Falei, teve seu mandato cassado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) na terça-feira (17).

Com isso, o ex-deputado estadual e integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) fica inelegível por oito anos.

O processo foi aberto após vazamento de áudios com comentários sexistas sobre as mulheres ucranianas. Arthur do Val chegou a renunciar ao mandato em abril, numa tentativa de evitar, em vão, a continuidade do processo.

Deputados federais comentaram o resultado da votação na Alesp.

“O Brasil não tem mais espaço para misóginos e machistas. Justiça foi feita”, disse a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Já o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) declarou que as falas misóginas de Arthur do Val em relação às refugiadas ucranianas não poderiam ficar impunes. “Está correta a decisão da Alesp. Preconceito, machismo e opressão não podem prevalecer na política. Parabenizo minhas camaradas Leci Brandão e Isa Penna pela atuação no caso”, afirmou o deputado.

Leia também: Cassação de Arthur do Val é recado à altura do machismo

Na opinião da deputada Erika Kokay (PT-DF), a cassação de Arthur do Val e a perda dos direitos políticos por falas machistas e misóginas é uma conquista da luta das mulheres e deve servir de exemplo. “Chega de impunidade!”, defendeu.

“Que Arthur do Val sirva de exemplo: as mulheres não vão aceitar caladas qualquer tipo de opressão. Todos os deputados presentes na sessão da Alesp dicidiram pela cassação do mandato desse sujeito”, disse Talíria Petrone, (PSOL-RJ).

Entenda o caso

Em março, após viajar à fronteira da Ucrânia pelo MBL para “prestar apoio aos refugiados” que saíam do país por conta da invasão e ataques da Rússia, Arthur do Val disse, entre outras coisas, em áudio, que as mulheres ucranianas “são fáceis porque são pobres”.

O caso gerou repercussão negativa não só no Brasil, mas também no exterior. Vários parlamentares entraram com pedidos de cassação do mandato.

Para a deputada estadual Isa Penna (PCdoB-SP), “desta vez a Alesp deu um recado à altura”, em referência à punição estabelecida a Fernando Cury, que em 2020, foi flagrado pelas câmeras da Alesp apalpando, em plenário, os seios da parlamentar.

No caso que envolveu Isa Penna, Cury foi punido internamente com suspensão de seu mandato por 180 dias.

“Hoje, as mulheres que sofreram e choraram comigo no meu caso de violência respiram aliviadas porque abrimos um precedente histórico na política do Brasil: o seu comportamento machista pode fazer os senhores perderem o mandato de vocês!

Não há espaço para machismo nos parlamentos. Nos respeitem ou serão jogados para a lata de lixo da história!, disse Isa.

Na sessão que cassou do Val, a parlamentar justificou ainda a ausência da correligionária Leci Brandão. “A votação só não foi unânime porque Leci Brandão infelizmente está isolada em casa com Covid-19!”, explicou.

Em suas redes sociais, Leci afirmou que a “casa do povo não pode aceitar visões machistas” e desejou que o caso sirva de exemplo e que “qualquer um que tenha essa atitude seja cassado também”.

O Brasil não tem mais espaço para misóginos e machistas. Justiça foi feita.

Christiane Peres

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