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CUBA: UMA REVOLUÇÃO ENVELHECIDA OU A REINVENÇÃO DO SOCIALISMO?

Apesar de a blogueira dissidente Yoani Sánchez insistir em afirmar que Cuba seria um capitalismo de Estado controlado por um clã familiar, os irmãos Raúl Castro e Fidel Castro, o jornalista e sociólogo e mestre em Relações Internacionais e Desenvolvimento, Renato Dias, 47 anos, de Goiânia, Goiás, acredita que a pequena ilha do Caribe possui um regime socialista com economia de mercado.

Já o escritor Leonardo Padura, autor do celebrado “O Homem que amava os cachorros”, editado no Brasil pela Boitempo Editorial, classifica o sistema de Havana como a santíssima trindade – partido, governo e Estado.

As análises compõem o livro “Pequenas Histórias – Cuba , hoje – Uma revolução envelhecida ou a reinvenção do socialismo”, de autoria de Renato Dias, com lançamento programado para no final desse mês de fevereiro.

Entrevista com Renato Dias.

Como pode ser conceituado o regime político cubano?

O historiador Daniel Aarão Reis Filho, doutor da Universidade Federal Fluminense [UFF] afirma que o que há em Cuba é socialismo com face autoritária.

Blogueira dissidente, a corajosa Yoani Sánchez o classifica como capitalismo de Estado controlado por um clã familiar. Ela se refere aos irmãos Castro, Raúl e Fidel.

Mesmo com a discordância de Lincoln Secco, creio que Cuba, hoje, guardadas as devidas proporções históricas e geopolíticas, assemelha-se à China: economia de mercado, intervenção estatal e monopólio do poder político pelo Partido Comunista de Cuba.

O que o escritor Leonardo Padura Fuentes define como a santíssima trindade: partido, governo e Estado.

O que explica a longevidade do regime cubano?

Apenas a repressão política não explica a manutenção de um regime político que em 1º de janeiro de 2015 completou 56 anos. Pensador italiano, Antônio Gramsci apontaria no consenso, consentimento e legitimidade.

As políticas públicas para as áreas de Saúde e Educação e a ampla rede de proteção social talvez poderia complementar a resposta. Mas vozes, hoje, se levantam por mudanças. Uma delas é Yoani Sánchez…

Quem deve ser o sucessor de Raúl Castro?

É impossível prever. Os ventos conspiram para Miguel Díaz-Canel, vice-presidente da República, nascido após a revolução de 1º de janeiro de 1959.

Qual a sua análise sobre Yoani Sanches?

Blogueira dissidente é mais conhecida no Brasil do que na pequena ilha do caribe. O seu receituário é liberal. As suas denúncias encontram eco nos grandes conglomerados de comunicação, que ainda dispensam a Cuba a lógica da guerra fria.

Como Fidel Castro entrará para a História?

Daniel Aarão Reis Filho afirma que de revolucionário o comandante de 1959 virou um tirano, com 49 anos de exercício de poder. Depois, o transferiu a seu irmão, Raúl Castro, que continua no poder.

Ernesto Guevara de La Serna, o Che, preservou-se mais para a história. Morreu como um ícone da revolução e ainda hoje é venerado nos cinco continentes do planeta. Jornalista, Breno Altman discorda. Ele frisa que Fidel Castro subirá ao panteão dos revolucionários. O tempo dirá…

Você esteve em Cuba?

Sim. Entrevistei dezenas de pessoas. Pesquisei documentos oficiais. Andei pelas cidades.

Quanto tempo para fazer o livro?

Da ideia original à saída da gráfica, três anos.

Por que a venda apenas pela internet?

Desobediência civil (risos). Um protesto contra o monopólio da venda pelas grandes livrarias e as editoras de porte, que não valorizam os novos escritores. Eu sei que será um trabalho de formiguinha. Mas deu certo com meus livros anteriores: “Luta Armada/ALN-Molipo As Quatro Mortes de Maria Augusta Thomaz” (2012) e “História – Para além do jornal – Um repórter exuma esqueletos da ditadura civil e militar” (2013).

Análises

Lincoln Secco descarta saída aos moldes chineses – economia de mercado e monopólio do poder político elo PCC. Já Daniel Aarão Reis afirma que o regime político tem consenso, consentimento e legitimidade. Jornalista, Lourival Sant´Anna frisa que Cuba oscila entre a abertura e o fechamento. Para Breno Altman, as reformas expandem o empreendedorismo.

Hideyo Saito insiste que a cobertura dos grandes conglo­me­ra­dos internacionais de comunicação à Cuba é fundada na ló­gi­ca da guerra fria [1945-1991]. Com o reatamento das rela­ções diplomáticas com os EUA, o jornalista Gilberto Maringoni, doutor em História Social pela USP, diz que caiu o muro. Humberto Clímaco (UFG) teme o que ocorreu no Leste europeu.

Perfil do autor


Renato Dias, 47, é jornalista (Alfa), sociólogo (UFG), mestre em Direito e Relações Internacionais (PUC-GO) e autor de “Luta Armada/ALN-Molipo As Quatro Mortes de Maria Augusta Thomaz” (2012), e de “História – Para além do jornal – Um repórter exuma esqueletos da ditadura civil e militar” (2013).

Repórter especial do Diário da Manhã, de Goiânia, ele é especialista em ditadura civil e militar [1964-1985], esquerdas e socialismos. O autor lançará, em fevereiro, no mercado editorial, o livro ‘Pequenas histórias – Cuba, hoje – Uma revolução envelhecida ou a reinvenção do socialismo?’

Ele programa para o mês de maio, de 2015, o lançamento de ‘O menino que a ditadura matou – VAR-Palmares, desaparecimento e o desespero de uma mãe.’ A obra conta a história do seu irmão, o desaparecido político Marcos Antônio Dias Batista, da VAR-Palmares, de apenas 15 anos de idade.

O escritor quer lançar, dia 10 de dezembro, “Transição sem Justiça – Uma análise da passagem da ditadura civil e militar no Brasil para a democracia em comparação com os paí­ses do Cone-Sul, Europa e África do Sul”. Renato Dias escreve ainda livro sobre o que pensam os trotskistas, hoje, no Brasil.

Fonte: Equipe Oásis/Redação

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