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Hilda e Clarice

Há muitas identidades no destino de Clarice Lispector (1920-1977) e Hilda Hilst (1930-2004): eram ambas mulheres muito belas, escritoras dotadas de um senso de mistério singular, capazes de mergulhos intensos na alma, criadoras de estilos que nasceram e morreram com elas, inimitáveis, intensas e, mesmo com uma coerência que não se curvava às concessões, seres em busca de comunhão. Para Hilda e Clarice, a literatura existia para ser ultrapassada. O que elas queriam estava além das palavras.

Dois livros que acabam de ser lançados são instrumentos maravilhosos para quem quer conhecer melhor Hilda e Clarice e, para quem acha que já as entende em parte, um estímulo para ir mais adiante. Clarice Lispector – Pinturas, de Carlos Mendes de Sousa (Editora Rocco), e Fico besta quando me entendem, coletânea de entrevistas de Hilda Hilst, organizada por Cristiano Diniz (Biblioteca Azul, 236 páginas, R$ 44,90) são volumes bonitos, feitos com capricho gráfico e acabamento que dão prazer à leitura. E, ainda que pareçam muitas vezes autoras difíceis, é preciso entender que a radicalidade do que faziam é que dava o sinal de opacidade de uma escrita que, decifrada com os sentidos, se torna clareza, expressão do indizível.

 

Clarice (ao alto)  e Hilda

Fonte: Redação

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