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Norte-americana viraliza após ler livro de Machado de Assis: “E agora, o que fazer da vida?”

A escritora americana Courtney Henning Novak

A escritora americana Courtney Henning Novak, de 44 anos, compartilhou no Tik Tok uma resenha de Memórias Póstumas de Brás Cubas, livro clássico da literatura brasileira escrito por Machado de Assis.

“Eu acho que é o melhor livro que eu já li. Acho que é meu novo livro preferido. A experiência de ler este livro é muito prazerosa”, disse ela.

Com mais de 20 mil seguidores no Tik Tok, Courtney tem um projeto de leitura pelo mundo, que consiste em ler um livro de cada país do globo. Este mês, ela está na letra B e chegou ao Brasil.

“Quero reler este livro e ler mais livros de Machado de Assis, mas tenho que ler outros livros do meu projeto. O que eu vou fazer agora?”, brinca Courtney.

“Preciso ter uma conversa com o pessoal do Brasil. Por que não me avisaram antes que este é o melhor livro já escrito? O que vou fazer do resto da minha vida depois que terminá-lo?”

Os dois vídeos feitos por ela sobre Memórias Póstumas somam mais de 800 mil visualizações no Tik Tok. No X (antigo Twitter), um post com o vídeo de Courtney, compartilhado por um brasileiro, alcançou mais de 90 mil curtidas.

Nos comentários, brasileiros recomendam mais autores para a escritora, entre eles Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Ariano Suassuna, Carolina de Jesus, entre outros.

Aumento repentino de pesquisas
De acordo com a plataforma Google Trends, a maioria das pesquisas por “Machado de Assis” na plataforma foram realizadas por Brasil, seguido de Portugal, Colômbia e Argentina.

No entanto, dentro dos Estados Unidos, o termo aparece com “aumento repentino” de pesquisas — e a tendência é que elas aumentem durante a semana.

Reconhecimento internacional
Não é a primeira vez que o talento de Machado de Assis é reconhecido internacionalmente, claro. Para citar um exemplo deste século, o escritor americano Philip Roth (1933-2018) declarou sua admiração pelo brasileiro em 2008, comparando-o ao dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989).

Hélio de Seixas Guimarães, professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP), conta que as principais obras de Machado “estão traduzidas para praticamente todas as línguas modernas e publicadas por boas editoras de vários países”.

“Machado de Assis tem bastante prestígio internacional, que só fez crescer a partir da segunda metade do século 20, principalmente nos meios acadêmicos e mais cultos”, explica Guimarães, que também é vice-diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, em São Paulo, e coordenador da coleção “Todos os livros de Machado de Assis”, da Todavia/Itaú Cultural.

E uma curiosidade: foi justamente a tradução da americana Flora Thompson-DeVeax para o inglês – versão lida por Courtney – que ampliou o alcance de “Memórias Póstumas” no exterior.

“Machado sempre atingiu um público restrito fora do Brasil. Isso talvez tenha começado a mudar com a tradução recente de Thomson-DeVeaux, que teve um lançamento bem-sucedido e agora chegou às redes sociais. Tomara que isso ajude Machado de Assis a entrar em circuitos mais amplos de leitura”, diz Guimarães.

A tradutora comemorou o sucesso de seu trabalho. No Twitter, Flora postou: “Eu vi o vídeo [da Courtney], gente! Fiquei feliz demais de ver alguém tendo a mesma reação que eu quando eu li ‘Brás Cubas’ pela primeira vez com meu português precário: espanto e indignação de não ter convivido com o Machado desde sempre”. E aconselhou: “presenteiem os amigos gringos, espalhem essa alegria!”.

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